Recentemente estava em uma operação de mergulho utilizando alguns spots de Led para realizar foto sub. Dos quatro spots levados comigo durante o mergulho, dois deles eram modelos antigos e que já apresentaram problemas no passado (Veja mais aqui), em razão da forma como foram desenvolvidos.
Durante o mergulho percebi que um deles começou a ficar estranho e, logo em seguida, percebi que havia alagado. Decidi prosseguir com o mergulho e ao chegar à embarcação, o proprietário da operadora me chamou e mostrou que estava saindo uma pequena fumaça de um dos spots.
Rapidamente vi que era o spot que havia alagado, abri e removi a bateria, pois já havia esquecido do alagamento durante o mergulho. Obviamente, a bateria que é de lítio, havia entrado em curto por causa do alagamento, estava quente, sob risco de estouro e provocar um incêndio. Imediatamente a coloquei la na água para resfriar e evitar que o pior acontecesse.
Logo em seguida o operador trouxe uma caixa plástica, onde deixamos a bateria de molho, para posteriormente jogá-la fora ao chegarmos à base.
Sua operadora está preparada ?
A história acima aconteceu comigo recentemente e isso me remeteu aos diversos problemas que as baterias de lítio andam apresentando por aí, e pouco se fala sobre o assunto.
Acho que o tema deveria ser mais abordado entre os mergulhadores e, principalmente no curso básico, para que todos tomem ciência quanto aos riscos na utilização dessas baterias.
Em 2019 o liveaboard Conception pegou fogo por causa das baterias de lítio que estavam sendo recarregas durante a noite. De uma hora pra outra, uma delas pegou fogo e provocou um grande incêndio, que acabou se espalhando por toda a embarcação. O resultado disso foi a morte de mais de 30 mergulhadores.
Só com conhecidos, sei de pelo menos cinco ocorrências com este tipo de bateria, então, não posso considerar o problema como algo tão raro assim.
Diante deste cenário, acredito que o tema deveria ser melhor abordado entre os mergulhadores e analisado com cautela pelas operadoras de mergulho, porque se um mergulhador simplesmente guarda um spot com bateria de lítio na área seca da embarcação e esta pegar fogo durante a navegação, pode ser o pavio para um grande acidente náutico por razões esdruxulas.
Talvez, haver um compartimento próximo da água e distante de elementos químicos inflamáveis e explosivos, seja um aspecto que precisa ser cogitado.
Nos liveaboards onde normalmente temos uma central de recarga de baterias, talvez seja importante esta área ficar exposta ao ar livre e longe das saídas de emergência da embarcação, para evitar problemas, como ocorreu no caso do Conception, onde a saída de escape acabou ficando bloqueada pelo fogo.
Se você é proprietário de uma operação de mergulho, recomendo a pensar sobre o assunto, com intuito de evitar a possibilidade de prejuízos e riscos, que podem ser facilmente evitados e administrados.
Uma boa forma de reduzir riscos, é ter uma “caixa” de fácil acesso e ao ar livre, para a colocação de itens que utilizem bateria de lítio.


Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



