Durante uma ocasião em que estive mergulhando na Flórida, nos Estados Unidos, as duplas foram formadas, e um dos membros tinha que portar uma boia sinalizadora de superfície durante todo o mergulho.
Na superfície ficava a boia indicando a posição dos mergulhadores para a embarcação da operadora. Ela era interligada através de um cabo de nylon amarelo com um carretel plástico que seguia em mãos.
Como estava lá para fotografar, seria um transtorno ter que ficar carregando esses acessórios durante todo o mergulho, pois faltaria “mão” para segurar também esses apetrechos durante o mergulho, mas felizmente meu dupla preferiu levar consigo e seguiu durante todo o tempo nas proximidades carregando aquela coisa toda.
Segundo os responsáveis pela operação, a sinalização através de boias de superfície, traria mais segurança para a operação de mergulho em si, pois evitaria a perda visual quanto ao posicionamento dos mergulhadores em relação ao ponto inicial de mergulho, mas a pergunta que faço é: o quanto isso é confortável para os mergulhadores, terem que ficar transportando aquela coisa por todo o tempo de fundo ?
Sinceramente vejo isso como um transtorno. Certamente iria preferir descer e ficar numa área delimitada, a ficar tendo que carregar uma boia durante todo o tempo.
Enfim, o mergulho seguiu, mas percebi que as duplas acabaram indo para lados diferentes, e como não havia um paredão ou algum tipo de referência, as pessoas nadavam conforme iam avistando a vida marinha que mais agradasse… ou seja, cada dupla para um lado diferente.
Pelo menos no Brasil, vejo que as pessoas descem e tendem a ficar mais agrupadas, afinal de contas, achar um grupo de mergulhadores é bem mais fácil que procurar apenas uma dupla, não concorda ?
Particularmente não gostei do método, achei que tira o conforto e a “curtição” do mergulho como um todo.
O fato é que vários locais adotaram esse método para monitorar os mergulhadores, apesar de já existem outras alternativas mais seguras e eficazes contra a perda de mergulhadores no mar.


Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



