Celular com Medidor de Saturação de Oxigênio – Pode não ser confiável

Alguns mergulhadores adquiriram modernos telefones por causa do Medidor de Saturação Sanguínea. Tendo o celular e um aplicativo do próprio fabricante do aparelho, é possível obter o nível de saturação de oxigênio no sangue.

No meio hospitalar o equipamento responsável por essa medição é denominado Oxímetro, disponível em tamanhos variados, sendo o mais comum, o modelo de pequenas dimensões. Em apenas alguns segundos, a porcentagem de oxigênio no sangue é informada em uma pequena tela de LCD.

O que passou na cabeça (e ainda passa) de alguns mergulhadores, era a possibilidade em ter uma ferramenta para obter a saturação de oxigênio após um mergulho técnico, ou coisas do tipo, e por isso o interesse no equipamento.

Oxímetro tradicional

Oxímetro X Coronavírus

Um dos métodos para monitoramento dos pacientes infectados pelo coronavírus é a aferição da saturação sanguínea, pois ela pode sinalizar uma evolução para a forma grave da COVID-19, sendo uma boa ferramenta para acompanhamento de pacientes pouco sintomáticos.

Uma das características da forma grave de infecção pelo coronavírus é a diminuição do nível de oxigênio no sangue, e nem sempre os pacientes sentem falta de ar e podem não perceber a Hipóxia.

O padrão médico de concentração normal de oxigênio em uma pessoa saudável e sem doenças crônicas respiratórias ou cardiovasculares deve ser em torno de 96%. Aferições inferiores a 95% já são um alerta de que a pessoa talvez necessite uma avaliação melhor com exames de imagem e observação mais intensa, pois a baixa oxigenação é apenas um dos sinais de gravidade.

Oxímetro de Telefone Celular é confiável ?

A resposta é: Tudo indica que não.

Me baseio em dar essa resposta no principal aspecto: Projeto de hardware utilizado pelo celular para a realização da medição.

No processo de medição, um feixe de luz é utilizado para medir a quantidade de oxigênio transportado pela hemoglobina, e oxímetro hospitalar, mesmo sendo o modelo portátil, emite dois comprimentos de ondas diferentes de luz, sendo um vermelho e outro infravermelho.

Muitos telefones possuem apenas a luz branca emitida por um LED, que é utilizado para dar o “flash” do celular, que não fornece uma leitura precisa em razão da frequência da onda emitida. Telefones da Samsung, por exemplo, possuem um emissor de luz vermelha, mas lendo as especificações técnicas do produto, o emissor consegue emitir apenas um comprimento de onda, podendo gerar resultados não confiáveis, por causa das variações a cada instante durante a medição.

Pesquisas com oxímetros de telefone celular em geral, tiveram resultados negativos pela falta de precisão, principalmente, quando a saturação de oxigênio da pessoa em teste se encontrava baixa. Pesquisadores da Universidade do Alabama, nos Estados Unidos, chegaram a publicar um paper mencionando que os oxímetros de celular devem ser usados apenas por aqueles que não estejam doentes, e ainda assim, apenas para obter uma referência média.

Para complementar, chegamos a entrar em contato com um dos principais fabricantes de telefone celular no Brasil, que é responsável por algumas linhas de aparelhos com oxímetro, e a resposta obtida, só mencionava que os produtos da marca são confiáveis, sem confirmar se essa “confiança” gera de fato o que precisamos… precisão.

Conclusão

Mencionei o uso do oxímetro no caso da COVID-19, para dar uma visão mais ampla da possibilidade de problema que uma medição de saturação errada pode acarretar. Uma simples medição deve ser levada a sério, porque o resultado impreciso, poderá acarretar em uma interpretação errada da situação, gerando procedimentos errados e colocando a vida da pessoa testada sob risco.

Oxímetro de celular não têm eficácia comprovada e não deve ser usado para medir a saturação sanguínea após um mergulho, principalmente se o motivo estiver relacionado com acidente de mergulho; e se não devemos utilizá-lo para isso, muito menos podemos cogitar na utilização para avaliar uma infecção por coronavírus.

Por:

Clecio Mayrink
Editor - Brasil Mergulho

Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount IANTD, possuindo mais de 30 anos de experiência em mergulho, fotografia e vídeo subaquático.

Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS em 2008, sendo o idealizador do portal Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769/SP) e responsável pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministérios dos Esportes.

Atuou na produção de diversas matérias e documentários no Brasil e no exterior, sendo uma referência para a mídia, órgãos públicos no país e diversas entidades internacionais como a ONU e UNESCO, quando o assunto é mergulho em naufrágio.

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