Cenotes mexicanos contaminados por bactéria fecal ?

Recentemente um site local especializado em notícias, divulgou uma matéria, informando que os famosos cenotes mexicanos, passaram a ser monitorados, pois teriam surgido indícios de contaminação por E. coli e fezes nos cenotes de Playa del Carmen, renovando as preocupações com o aquífero.

Corpos d’água cársticos são recursos hídricos subterrâneos vitais, particularmente vulneráveis ​​à poluição. A proteção da qualidade da água exige a documentação de contaminantes tradicionalmente associados a atividades antropogênicas (metais, nutrientes e bactérias indicadoras de contaminação fecal), bem como de contaminantes emergentes, como organismos resistentes a antibióticos (ORAs) e substâncias perfluoroalquiladas (PFAS).

O estudo detectou contaminantes em corpos d’água associados a áreas cársticas na Península de Yucatán, incluindo 10 dolinas (cenotes) e um local de descarga de água subterrânea submarina (SGD). As concentrações de metais (estrôncio, cádmio, níquel, chumbo), nutrientes (fosfato, silicato, amônio, nitrato e nitrito) e bactérias indicadoras de contaminação fecal (coliformes fecais, Escherichia coli) foram consistentes com relatos anteriores, por vezes excedendo os padrões recomendados para águas subterrâneas ou para a proteção da vida aquática.

Isso incluiu concentrações elevadas de chumbo (80,3 µg/L) e nitrato (413 µmol/L) em dois cenotes, e níveis elevados de E. coli (167–1800 UFC/100 mL) em cinco cenotes. Além disso, 34 cepas de E. coli resistentes a antibióticos foram identificadas em nove cenotes, sendo a maioria delas multirresistentes.

O ácido perfluorooctanossulfônico (PFOS) e o ácido perfluorohexanoico (PFHxA) também foram detectados em oito cenotes e no SGD, com concentrações totais de PFAS variando de 0,68 a 10,71 ng/L. A ausência de associações entre os contaminantes e a cobertura urbana sugere que a hidrologia cárstica influencia o ciclo dos contaminantes — as assinaturas de isótopos estáveis ​​(δ¹⁸O, δ²H) confirmam que a maioria dos sistemas está interconectada aos fluxos regionais de água subterrânea, o que pode permitir que os contaminantes percorram longas distâncias.

O carste da Península de Yucatán é um importante reservatório de água doce utilizado para consumo e recreação; a presença de contaminantes e a vulnerabilidade do carste à sua disseminação suscitam preocupações e destacam a necessidade de monitoramento e conservação contínuos.

O estudo completo pode ser lido através do link https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12568887/

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