Certificadoras de Mergulho: Quais são aceitas no mercado brasileiro ?

Antigamente haviam duas certificadoras credenciando mergulhadores por aqui, até chegou a surgir uma terceira, a ABMA (Associação Brasileira de Mergulho Autônomo), mas a coisa acabou não indo pra frente.

Felizmente a coisa evoluiu e por volta de 1989, novas certificadoras começaram a desembarcar no Brasil, trazendo benefícios, novas técnicas, cursos e especialidades e, atualmente, encontramos uma pequena quantidade de certificadoras responsáveis pelo credenciando mergulhadores nas melhores escolas.

Contudo, hoje temos um problema, que são as certificadoras sem padronização surgindo no mercado e que atuam sem critérios reconhecidos. Vamos entender mais abaixo do que se trata.

 

Quais agências estão no Brasil ?

Antes de mais nada é preciso saber que existe uma entidade internacional com diversos critérios aplicados aos cursos de mergulho, servindo para haver um padrão e manter uma qualidade mínima satisfatória na segurança da execução dos cursos de mergulho em si.

Essa entidade chama-se WRSTC, da qual, as maiores agências de mergulho do mundo fazem parte.

É importante saber que algumas certificadoras encontradas mercado, não estão associadas ao WRSTC. Isso não quer dizer que sejam boas ou ruins, mas o consumidor deixa de ter algumas garantias quanto à qualidade e segurança nos cursos.

Hoje encontramos as seguintes agências reconhecidas mundialmente e aceitas pelo mercado brasileiro:

CBPDS

CMAS

IANTD

NACD

NSS-CDS

PADI

PDIC

NAUI

SDI

SSI

TDI

 

Existem agências no Brasil que não constam na listagem acima ?

Como disse anteriormente, sim, existem, e normalmente não são reconhecidas pelas escolas e operadoras de mergulho.

Não é possível afirmar que pelo fato de não estarem relacionadas com o WRSTC elas sejam ruins, mas também não podemos afirmar que sejam boas. Cada caso é um caso.

Se o consumidor possuir uma credencial de uma certificadora desconhecida e tentar realizar um outro / especialidade de mergulho em outra certificadora reconhecida ou tentar sair em uma operação de mergulho por aqui ou no exterior, provavelmente ele terá problemas.

 

Mas é possível criar uma certificadora sem haver relação com as demais já conhecidas pelo mercado ?

Em nossa apuração, não existe uma legislação pertinente ao assunto no Brasil e o pouco que há relacionado ao mergulho comercial, está diretamente ligado a NORMAN 222 da Marinha do Brasil, deixando no “limbo”, diversas questões quanto à legislação sobre o mergulho recreativo.

É importante salientar, que as únicas normas quanto a prestação de serviços relacionados ao mergulho no Brasil, são as normativas publicadas pela ABNT.

Então, isso abre espaço para que qualquer pessoa, inclusive as desprovidas de informação e treinamento, consigam abrir sua própria certificadora de mergulho, podendo induzir os consumidores a entrarem literalmente em uma cilada, porque estará realizando um curso sem qualidade e segurança.

Além da possibilidade dos treinamentos poderem estar longe de uma qualidade mínima adequada para a segurança do mergulhador, algumas certificadoras sem relevância podem colocar os alunos sob risco.

Hoje no Brasil, há uma dita certificadora que passou a credenciar pessoas sem nenhum critério, qualidade e segurança, havendo, inclusive, relatos de que parte dos instrutores mal sabem ler e escrever, e que estão “formando” novos mergulhadores com cursos ministrados na beira da praia, sem nenhuma estrutura para os cursos e treinamentos adequados, criando um problema para o mercado profissional do mergulho.

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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