Normalmente vemos nas escolas e operadoras de mergulho, diversos cilindros de mergulho guardados em pé, mas poderíamos guardá-lo deitado, ou seja, na posição horizontal ?
Se você quiser diminuir sensivelmente a vida útil do cilindro, sim…
A forma correta é guardá-lo em pé, em posição vertical.
Quando olhamos os cilindros de mergulho, normalmente imaginamos que a espessura da sua parede possui a mesma medida como um todo, o que não procede.
Por uma questão de segurança, a parte superior onde encontramos a rosca do registro e a parte inferior do cilindro, possui uma espessura muito maior que as laterais dele.
Mas porque ele é feito dessa forma ?
Basicamente são três aspectos. Vejamos abaixo:
Impactos
Tanto a parte superior como a inferior de um cilindro de mergulho são áreas mais propensas a impactos e podem ter como consequência, micro rachaduras. Havendo alguma micro rachadura, ela poderá colocar o mergulhador em risco com a utilização desse cilindro, tendo em vista que uma explosão, e consequentemente um acidente, poderiam ocorrer.
Rosca do registro
Outro motivo para que a parte superior do cilindro possua uma espessura maior, é porque é levado em consideração a necessidade da distribuição de carga do registro rosqueado, devido a pressão do gás.
A rosca mantém o registro conectado mesmo sob pressão e distribui a força tensão na área ao redor superior. Se a espessura dessa área do cilindro fosse igual as paredes laterais, a quantidade de anéis da rosca do registro seriam menores e não seria possível manter o registro rosqueado, e o registro seria cuspido do cilindro quando fosse recarregado.
Corrosão
Como o cilindro é projetado para ser armazenado em pé, a parte inferior ganha um aumento em sua espessura para suportar mais a corrosão do e oxidação.
Se o processo de corrosão iniciar, esse aumento na espessura diminui a chance de condenar o cilindro e dará mais tempo hábil para que o problema seja detectado por um técnico especialista em inspeção visual. Daí a importância na realização do teste hidrostático nos prazos corretos e da inspeção visual por um técnico credenciado e de confiança.

Conclusão
Com exceção do transporte, cilindros de mergulho só podem ser guardados deitados quando forem novos e que nunca receberam recargas.
Uma vez recarregados, eles devem ser guardados em pé afim de evitar um possível acúmulo de água na lateral do cilindro, acelerando o processo de corrosão na parede mais fina e condenando mais rapidamente o cilindro de mergulho.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



