Algumas semanas atrás um cilindro de mergulho explodiu durante o processo de recarga em uma empresa de esportes e não especializada em mergulho, e o acidente acabou deixando uma pessoa gravemente ferida e sob risco de morte.
A recarga estava sendo realizada em um cilindro Luxfer do tipo S80 do ano de 2014.
Ainda não se sabe as causas para que o acidente ocorresse, porém, há indícios de que o cilindro tenha sido pintado por uma pessoa não especialista no assunto, em razão de algumas características da pintura no cilindro em questão.
Risco de uma pintura incorreta em cilindro de mergulho
Um aspecto que poucos têm conhecimento, é que o processo de pintura de cilindros de alumínio, não pode incluir a exposição do cilindro em uma estufa com altas temperaturas. Em muitos casos, objetos são colocados em estufa para acelerar o processo de secagem e cura da pintura, e no caso dos cilindros de alumínio, justamente esse detalhe pode acarretar na condenação do equipamento, pois muitas estufas chegam a alcançar os 240°C.
Cilindros de alumínio são sensíveis às altas temperaturas e podem sofrer alteração molecular, havendo regras específicas quanto à estabilidade térmica para cada tipo de cilindro de alumínio, inclusive os de mergulho.
Segundo o site da maior fabricante de cilindros de mergulho do mundo, a Luxfer, eles informam que o cilindro de mergulho comercializado por eles suporta até os 130°C, e caso o cilindro venha a ter uma temperatura superior, ele precisará passar por um novo teste hidrostático e inspeção antes do uso, a fim de assegurar a estabilidade da liga metálica.
Caso o cilindro seja exposto à temperatura superior aos 175°C, ele imediatamente precisa ser condenado e retirado de serviço, pois certamente haverá a degradação do material, bem como, o enfraquecimento da liga metálica e tendo como consequência a explosão.
Ainda segundo a própria Luxfer, para evitar o risco de falha do cilindro e risco à vida humana, eles recomendam enfaticamente que os cilindros só devem ser repintados com tintas que secam e curam em temperatura ambiente. Essas tintas podem ser à base de água, embora em algumas áreas seja permitido o uso de tintas com solventes. Um verniz que também venha a curar e secar em temperatura ambiente pode ser aplicado sobre a nova tinta, mas em todo o caso, só devem ser utilizadas tintas especificamente recomendadas para uso em superfícies de alumínio.
Não devem ser usados decapantes de tinta cáustica ou produtos de limpeza corrosivos para remover a tinta dos cilindros de alumínio. Eles danificarão o cilindro e enfraquecerão o metal, o que mais tarde poderá causar uma falha sob pressão.
A tinta mais antiga também não deve ser removida por jateamento, pois este processo poderá remover partes de metal do cilindro.
No fim das contas, o ideal é levar o cilindro para ser pintado por uma empresa séria e especializada no ramo.
Agradecimentos
- Mário Dalla (TH Service)
- Miguel Lopes
Referência
https://www.luxfercylinders.com/support/temperature-exposure

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



