Compressores de Mergulho

Os compressores de alta pressão são os responsáveis pela recarga dos cilindros de mergulho, possibilitando a realização dessa atividade pelos mergulhadores.

Vamos conhecê-los um pouco mais.

 

Um pouco de teoria

O ar que respiramos é composto por aproximadamente 20.9% de oxigênio e 78% de nitrogênio. O restante, inclui quantidades muito pequenas de gases inertes, como argônio e dióxido de carbono (CO2), dentre outros, mas também inclui uma pequena quantidade de vapor de água.

À medida que o ar é comprimido pelo compressor, o vapor de água acaba sendo comprimido, se tornando água na forma líquida, e normalmente também um pouco de névoa de óleo (dos compressores lubrificados a óleo) também acaba sendo produzida, juntamente com gases ou vapores que possam ter sido aspirados para a entrada do compressor.

A água, o óleo e os vapores são todos considerados contaminantes e devem ser removidos para fornecer ao mergulhador um ar comprimido limpo e respirável. À medida que o ar comprimido é respirado, o oxigênio, o nitrogênio e outras impurezas viajam dos alvéolos nos pulmões para a corrente sanguínea e, em seguida, para os tecidos e células do corpo.

Existem basicamente dois tipos de compressores usados ​​para produção de ar respirável:

  • Baixa pressão
  • Alta pressão

Exemplos de unidades de baixa pressão (aproximadamente 140 a 250 psi) são plataformas de narguilé e sistemas de capacete do tipo KMB.

Unidades de alta pressão são usadas para comprimir ar até 6.000 psi e encher cilindros de mergulho e sistemas de cascata.

O nível de impurezas na saída final de um compressor depende do tipo de sistema de purificação usado (se houver) e da frequência com que os filtros são trocados.

Alguns compressores recreativos de baixa pressão têm pouca ou nenhuma filtragem no sistema, e são mais restritivos em razão do comprimento da mangueira (narguilé) e o envio do ar sob pressão, havendo um aspecto muito importante, quanto aos cuidados necessários para que o ar aspirado para a admissão, não faça a captação de gases perigosos ppara a saúde do mergulhador, como o monóxido de carbono (CO). O CO é o mesmo gás encontrado no escapamento do motor, sendo um gás mortal e pode ser aspirado para a admissão de um compressor, caso ela seja colocada muito próximo de uma fonte potencial de CO.

Já os compressores de alta pressão possuem vários estágios que aumentam a pressão  de forma que o ar seja inserido nos cilindros de mergulho e sistemas de cascata. Cada estágio comprime (e condensa) o ar, então o ar deve ser resfriado e a névoa de umidade / óleo capturada, o que é feito com serpentinas de resfriamento e separadores.

Os separadores devem ser purgados em tempo hábil, a cada 10-15 minutos normalmente e, dependendo da umidade. Isso é feito manualmente com muitos compressores portáteis, mas geralmente encontrado em alguns sistemas com drenagem automática em compressores de grande porte.

O fornecimento final de ar precisa então ser purificado por meio de um sistema de filtragem. Um filtro de purificação típico conterá três substâncias: um agente de secagem, carvão ativado (para remover a névoa de óleo e odores restantes) e um catalisador para converter CO em CO 2. Os componentes internos de um filtro de purificação tem uma vida útil limitada, requerendo a substituição conforme as especificações de cada fabricante.

Existem outros gases produzidos para mergulho, sendo o mais comum o Nitrox. Também conhecido como ar enriquecido ou EANx, é qualquer mistura de gás que contenha um percentual maior de oxigênio (entre 23,5% e 39%), podendo ser produzido através dos seguintes métodos:

 

Foto: Divulgação Coltri

 

Adição de Oxigênio
  • A adição de oxigênio puro a um cilindro e completá-lo com ar puro é chamado de mistura de pressão parcial. Este procedimento, como qualquer processo que exija o manuseio de oxigênio puro, apresenta um risco maior de incêndio, danos ao equipamento e ferimentos graves ou até morte e, por isso, requer um treinamento especializado e equipamentos limpo s e preparados para o recebimento do chamado oxigênio 100%, também conhecido como oxigênio hospitalar.
  • Já o sistema com bastão de nitrox, mistura o oxigênio com ar na entrada do compressor de alta pressão. Esse método também requer cautela, pois também requer o manuseio do oxigênio puro, que é dosado no bastão para que o produto final seja produzido com o percentual desejado.
  • Já o sistema mais moderno, é o sistema de membrana, que transfere o ar de baixa pressão através de uma membrana, que faz a remoção do nitrogênio, realizando a separação das moléculas, mantendo o oxigênio.

 

Para ajudar a garantir que o ar esteja seguro, os mergulhadores recreativos podem fazer o seguinte:

  • Antes de usar um cilindro de ar comprimido, abra cuidadosamente a válvula levemente e verifique se há odores. Se houver odor, não use o cilindro. Um odor pode indicar que o sistema de filtragem do compressor que purificou o ar está com manutenção vencida, teve uma falha mecânica, aspirou vapores nocivos ou foi contaminado por uma falha no sistema de drenagem automática.
  • Se o cilindro estiver cheio de Nitrox, analise a porcentagem de oxigênio antes do uso para garantir que esteja conforme o esperado. Cilindros contendo gases diferentes de ar por lei,  devem ser marcados com o gás que contêm.
  • Considere usar um sensor ou analisador de CO.
  • O mais importante, encontre uma fonte de ar de alta pressão em que você possa confiar.
  • Questionar onde você compra seu ar, quais as práticas de manutenção preventiva que eles seguem, é uma forma de tentar saber como trabalham. A maioria das operações de mergulho se orgulha de seus sistemas de ar e Nitrox e ficaria feliz em exibi-los.

 

Comprimir ar ou Nitrox em um cilindro de mergulho é um trabalho que não é fácil, tanto para o compressor quanto para o técnico que opera o equipamento. Vigilância e manutenção regular são necessárias para garantir que o comprimido seja certificável pelos padrões internacionais para mergulho.

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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