Durante muitos anos, os computadores de mergulho foram ignorados pelas grandes certificadoras, mas isso mudou e, atualmente, são até mencionados nos cursos de mergulho e recomendados por quase 100% dos instrutores.
Felizmente os computadores de mergulho se tornaram comuns e acessíveis, não existindo motivos para não comprar um. Raramente vemos pessoas mergulhando e utilizando tabelas descompressivas, menos ainda, realizando cálculos de mergulho multinível. Por outro lado, não é incomum também vermos pessoas mergulhando sem computador e sem tabela descompressiva, confiando unicamente em seu guia ou instrutor, o que considero um absurdo.
Se você mergulha utilizando uma tabela descompressiva comum, você assume que estará exatamente na mesma profundidade durante todo o mergulho, o que sabemos que é praticamente impossível disso acontecer. Os computadores de mergulho levam em consideração sua descida inicial e qualquer outra subida e descida que você vier a realizar, fazendo com que ele recalcule a todo o momento seu tempo de fundo e levando em consideração todas as suas profundidades e tempos em cada uma delas, realizando muito mais do que sua mente poderia fazer e sem erros.
Computadores com capacidade para cálculos de mergulhos utilizando misturas Nitrox, podem calcular e comparar rapidamente os percentuais de oxigênio e profundidades para determinar a mistura ideal para seu mergulho, o que é muito bom, pois normalmente poucos alunos chegam a lembrar como se faz o cálculo depois de sair de um curso de Nitrox, por exemplo.
Com o uso do computador, os mergulhos se tornam muito mais seguros e eliminamos o risco “erro humano” inerente aos cálculos manuais e elimina a necessidade de confiar em outra pessoa para gerenciar o seu mergulho. Mesmo numa remota possibilidade em que um computador de mergulho apresente problema, se você e seu parceiro possuírem um, as chances são praticamente nulas, sendo improvável que ambos os computadores apresentem erros ao mesmo tempo.
Além disso, ele pode manter os registros dos mergulhos, exibir os limites não descompressivos e realizar todos os cálculos para os mergulhos seguintes.
Meu primeiro computador foi um Aladin Pro, da antiga Uwatec da Suíça, um modelo bem simples, mas um espetáculo na época. Quando passei a mergulhar com ele, imediatamente parei de usar as tabelas descompressivas que carregava durante os mergulhos. Confesso que foi amor à primeira vista !
O computador de mergulho tem um custo que realmente vale cada centavo e nos traz uma paz, e por se tratar de um equipamento tão importante, é recomendável que você tenha a sua própria unidade. Atualmente, muitas operadoras de mergulho estão começando a exigir que você tenha pelo menos um computador de mergulho, especialmente se estiver fazendo mergulhos mais avançados.
Hoje é possível adquirir um modelo com tela LCD de dimensões maiores ou com tela reduzida, no formato relógio de pulso, e quem não conhece, nem saberá que é um computador de mergulho, então, tamanho e formato não é um problema nos dias atuais.
Possibilidade de Falhas
Quando falamos nesse assunto, é muito comum alguém chegar e comentar que os computadores de mergulho não são infalíveis, sim, é verdade e como tudo na vida, mas em quatro décadas, só devo ter visto algum mergulhador ter problema com seu computador apenas umas 2 ou 3 vezes, e nem sei dizer se o problema não era puramente bateria fraca, por desleixo com a manutenção do equipamento em si.
Independente disso, é mais do que importante ressaltar, que os computadores de mergulho tem como propósito ajudar a evitar a possibilidade de uma doença descompressiva e são incapazes de saber o seu perfil exato. Alguns modelos até permitem configurar um perfil mais conservador ou mais radical, ficando a cargo de cada mergulhador adotar qual é o perfil mais adequado para seu caso.
Os computadores de mergulho não são capazes de levar em consideração fatores de risco, peso, idade, níveis de hidratação e o fato de você ter ficado tomando bebida alcoólica na noite anterior. Eles nada sabem nada sobre seu corpo e sua saúde, e justamente por esse motivo, eles devem ser considerados como uma ferramenta e nada mais que isso.
Você também deve saber como ele funciona e como configurá-lo, sendo muito importante, que o mergulhador compreenda corretamente as informações que o computador repassa através da tela LCD.
Já vi quase situações de acidente, pela falta de compreensão do mergulhador ao ler os dados na tela e até uma doença descompressiva pela execução incorreta dos procedimentos.


Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



