Até algum tempo atrás os cyalumes eram utilizados pelos mergulhadores como meio de sinalização, principalmente no caso dos mergulhos noturnos, onde os mergulhadores amarraram os cyalumes nas torneiras dos cilindros para que tornasse mais fácil a localização deles.

Um cyalume nada mais é do que um pequeno bastão plástico com dois elementos químicos na forma líquida à base de óleo luminescente, que ao se misturarem, geram uma luz artificial por algumas horas, sendo normalmente nas cores verde, rosa ou azul.

Durante anos este simples acessório ajudou bastante na segurança dos mergulhadores, no entanto, atualmente ele está sendo descartado pelas operadoras de mergulho, por acabar contribuindo na degradação do meio ambiente, intoxicando os seres aquáticos.

De uns tempos para cá, autoridades de diversos países vêm determinando a proibição da comercialização deste produto, tendo em vista o aumento nas vendas deste produto, não só para o mergulho, como em outras áreas da navegação, pesca e eventos festivos.

É comum em festas de casamento a distribuição de pequenas pulseiras e colares durante a comemoração do evento, deixando os convidados literalmente “iluminados”, e esses itens nada mais são, do que o mesmo artigo luminoso utilizado no mergulho.

No caso da pesca, dezenas de redes de espera foram encontradas com cyalumes amarrados a espera dos peixes, mas infelizmente eles acabaram se degradando com o tempo, liberando elementos químicos presentes em seu interior, no mar. Pouco tempo atrás, foram recolhidos da costa, cerca de 7mil cyalumes flutuando livremente.

Pesquisas realizadas em laboratório concluíram que o óleo luminescente, causa alterações nas proteínas e no DNA das células, prejudicando as funções das mesmas.

Segundo um artigo publicado recentemente em um jornal, o líquido presente nesses bastões pode provocar alergias, mutações e câncer.

É fundamental que todos os mergulhadores divulguem esses fatos aos demais, para que todos evitem a utilização desse tipo de produto com descarte no mar, pois existem outras alternativas de sinalizadores que não degradam o meio ambiente e não será por falta deste produto que o mergulho se tornará menos interessante e menos seguro.

Por:

Clecio Mayrink
Editor - Brasil Mergulho

Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986, participando da primeira turma de Dive Master da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 30 anos de experiência em mergulho e fotografia / vídeo subaquático.

Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS, em 2008, é o idealizador do site Brasil Mergulho em 1998 (MTB 0081769/SP) e atuou em diversas matérias e documentários no Brasil e no exterior, sendo uma referência quando o assunto é mergulho e naufrágios para a mídia e órgãos públicos no país, e diversas entidades internacionais como a ONU e UNESCO.