Desvendado o mistério dos Tubarões Brancos no Pacífico

Um grupo de pesquisadores de cinco instituições científicas visitaram um ponto entre Baja Califórnia e o Havaí durante a primavera passada, em uma busca de respostas sobre o que poderia estar atraindo os grandes tubarões brancos para o que ficou conhecido como o “White Shark Cafe”, quase como se eles foram puxados por algum estímulo desconhecido até então.

A peregrinação anual dos tubarões à região do médio Pacífico a partir da costa da Califórnia e do México, deixava os cientistas atônitos, não apenas por ser um local distante, fazendo com que os tubarões levassem até um mês para chegar lá, mas porque não havia indícios de qualquer tipo de presa ou habitat interessante para eles.

Em vez de mar vazio e árido, a expedição, liderada por cientistas da Universidade de Stanford e do Monterey Bay Aquarium, encontraram uma vasta comunidade de minúsculas criaturas sensíveis à luz tão tentadoras, que os tubarões atravessaram o mar em massa para alcançá-las.

A atração principal, acreditam os cientistas, é uma abundância extraordinária de lulas e pequenos peixes que migram para cima e para baixo em uma área pouco profunda do oceano conhecida como “meio da água”.

“A história do tubarão branco demonstra que esta área é de vital importância em formas que jamais imaginaríamos”, disse Salvador Jorgensen, pesquisador do Monterey Bay Aquarium e um dos líderes da expedição.

A região subtropical de 160 milhas a cerca de 1.200 milhas a leste do Havaí, era essencialmente desconhecida para os cientistas até que a cientista marinha Barbara Block, da Hopkins Marine Station, Universidade de Stanford, começou a colocar etiquetas acústicas nos tubarões brancos há 14 anos.

Block descobriu que os tubarões locais, conhecidos como brancos do nordeste do Pacífico, se alimentam de elefantes marinhos e outros mamíferos marinhos no chamado “Triângulo Vermelho”, entre a Baía de Monterey, as Ilhas Farallon e a Bodega Head, entre agosto e dezembro. Ela também rastreou seus movimentos na Baía de São Francisco e na ilha de Guadalupe, no México.

A cada dezembro, as marcas acústicas mostravam um movimento em massa para o mar que era tão confuso para os pesquisadores quanto surpreendente.

Block descobriu que os tubarões estavam deixando as águas ricas em alimentos ao longo da Costa Oeste para passar a primavera e a maior parte do verão em um oceano aberto, um local que aparentemente seria um vazio deserto oceânico do Saara em pleno mar.

Para descobrir, Block organizou a expedição de um mês em abril e maio a bordo do navio de pesquisa Falkor, do Instituto Schmidt Oceânico, que era equipado com instrumentos de alta tecnologia, drones e um submarino operado remotamente. No outono passado, antes da partida, sua equipe de cientistas rastreou 36 tubarões locais usando sinais acústicos e os equipou com tags de monitoramento por satélite de alta tecnologia com sinalizadores.

Os pesquisadores conseguiram adquirir 10 dos 22 rastreadores com os dados sobre a rota dos tubarões.

Durante o trajeto, os tubarões chegaram a mergulhar até 1.000m de profundidade, sendo uma descoberta surpreendente, pois teoricamente o animal não seria capaz de se aquecer o suficiente para digerir os alimentos em profundidades tão frias e pressurizadas.

Ao chegarem ao seu destino no final no inverno e início da primavera, os animais se mergulhavam 420m durante o dia e 200m à noite, disse Jorgensen.

Em abril, os tubarões machos começaram a se comportar de maneira muito diferente das fêmeas, movendo-se individualmente para cima e para baixo na água em forma de V até 140 vezes por dia. As fêmeas, por outro lado, continuaram seu comportamento anterior, mergulhando profundamente durante o dia e rasa à noite, disse ele.

Por:

Redação

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