Nos últimos anos houve um crescimento exponencial quanto ao número de naufrágios artificiais no Brasil, que consiste em afundar navios, aviões, carros ou qualquer outro em desuso para atrair fauna subaquática e criar pontos de mergulho em uma região.
O Estado campeão em afundamentos no Brasil, é Pernambuco, onde desde 1999, já foram afundados mais de 10 rebocadores ao longo da costa. A fauna e o turismo da região já colhem frutos pela iniciativa e a grande quantidade de vida agregada nos naufrágios crescer a cada dia.
O litoral brasileiro registrou mais de 3.000 naufrágios desde a vinda dos portugueses pra cá, onde nesses 500 anos, nossas águas receberam navios de todos os tipos e nacionalidades, e dos que naufragaram, grande parte estão enterrados, desmantelados ou semi-inteiros, e navios inteiros são realmente raros por aqui.
Naufrágios Naturais X Artificiais
Estado físico das estruturas
Criar um recife artificial não é simplesmente afundar um navio. É necessário prepará-lo para não ocorra um impacto ambiental, com o despejo óleo e elementos contaminantes na água, o que pode ocasionar um grande dano ambiental. A embarcação precisa estar limpa, com todas as portas e obstruções abertas para que os mergulhadores possam passar em segurança.
Ambiente “Overhead”
Apesar de parecer mais simples de mergulhar, os naufrágios artificiais tem um aspecto que deve ser levado em consideração: O Ambiente Overhead ou simplesmente “ambiente com teto”. Mesmo que as obstruções tenham sido removidas, mergulhar em um ambiente com teto requer treinamento especial, pois o teto pode se transformar em um perigo em potencial numa situação de emergência e/ou stress.
Pontos de enrosco
Pedaços de chapa do navio ou remanescente da carga que vão se transformando em verdadeiras armadilhas para o mergulhador despreparado, são características mais propícias de serem encontradas em naufrágios naturais, assim com o Silt ou suspensão.
Cabeamento
Muitos naufrágios artificiais possuem passagens cabeadas para aumentar a segurança dos mergulhadores. Em naufrágios naturais, o próprio mergulhador tem que cabear o seu percurso e ao terminar a penetração, o cabo deve ser recolhido. A carretilha é uma ferramenta essencial para aqueles que visitam um naufrágio, podendo ser ser usada em diversas situações, trazendo segurança ao mergulhador, principalmente em situações com baixa visibilidade.
Profundidade
Naufrágios “naturais” podem ser encontrados em qualquer profundidade. Desde arrebentações em praias onde profundidades vai muito além de nosso limite. Já os artificiais, são afundados em locais previamente estabelecidos e adequados para a prática do mergulho. De todos os naufrágios realizados até hoje no Brasil, a maioria se encontra em profundidades inferiores a 30m.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



