Para quem trabalha com a produção de vídeos, é bem complicado trabalhar usando DSLR’s para a captação de vídeos, em virtude das diferenças entre a câmera de vídeo em relação as câmeras de foto com capacidade para a gravação de vídeos.
De cara, a falta do foco automático, já é um dos aspectos que muito incomodam os cinegrafistas, e pior ainda, quando não temos uma boa visão do que está sendo gravado.
Quando usamos as câmeras DSLR’s em caixa estanque a coisa se complica, uma vez que os monitores de LCD presentes nessas câmeras, normalmente possuem apenas 3 polegadas, porém, essa dimensão acaba sendo reduzida pela própria caixa estanque, uma vez que a ela sobrepõe parte da área do LCD da câmera, diminuindo ainda mais a visão do cinegrafista quando está sendo gravando.
Hoje a única solução para isso, é a colocação de um monitor de LCD externo, que nada mais é, do que uma segunda caixa estanque com um monitor de LCD conectado à câmera através de um cabo HDMI ou RCA. O grande problema desse material, é o custo elevadíssimo, algo em torno dos US$ 1.800 nos Estados Unidos, chegando à ser quase o preço da caixa estanque.
Tecnicamente um projeto desses, não é complicado, e não consigo entender o porquê desse custo tão elevado, e devido à isso, decidi desenvolver um pequeno projeto de monitor externo para a minha caixa, para usar com a minha DSLR.
O primeiro problema encontrado, foi no tipo de cabo para a saída de vídeo da câmera. O espaço entre a câmera e a caixa estanque é extremamente reduzido. Durante dias realizando pesquisas e mais pesquisas na internet, encontrei somente um fabricante de equipamentos na Europa que produzisse um cabo compatível com o espaço disponível, porém, infelizmente eles não vendem o cabo separadamente. Contatei diversos fabricantes de cabos na China, e sem êxito.
Pra pior a situação, o cabo de saída RCA da Canon, possui um formato próprio, e todos os proprietários de câmeras Canon, acabam ficando refém desse cabo, pois ninguém fabrica o cabo com o conector do tipo USB Canon desenvolvido por essa marca.
No meu caso em si, após 2 cabos danificados, consegui utilizá-lo de uma forma que permita o encaixe na câmera, estando essa no interior da caixa estanque. Foi por pouco, mas consegui. Optei pelo cabo RCA, para que fosse mais fácil na hora de conectá-lo ao bulkhead presente na caixa estanque.
Com relação aos itens requeridos para o projeto, no caso do monitor, comprei um monitor de LCD com 4.5 polegadas ao custo de US$ 37 através do eBay. Já o cabo, infelizmente tive que comprar um cabo original Canon que saiu por volta dos US$ 10, também adquirido no eBay.
Durante o desenvolvimento do projeto, houve a necessidade de uma bateria quadrangular que fornecesse a energia para o LCD. Optei por uma bateria de lítio de 12v X 3.8A, capaz de fornecer energia por muitas horas, tendo um tamanho reduzido e garantindo que eu não fique na mão. Ela me custou algo em torno dos US$ 20 no eBay também.
Nessa estapa, cogitava em fazer com que a câmera realizasse a transmissão do vídeo da câmera para o LCD por rádio frequência, afim de evitar mais um possível ponto para alagamento da minha caixa estanque. Durante alguns testes, o sistema funcionou perfeitamente entre caixas acrílicas, no entanto, ao usar uma caixa metálica com outra acrílica, o sistema de rádio frequência era ineficaz.
Utilizei um micro transmissor – receptor com alcance de 100m de distância, porém ao testá-lo embaixo d´água, ele funcionava até uma distância de 1m aproximadamente com caixas acrílicas, sendo perfeito para o que desejava, porém, como a caixa principal é metálica, ela acaba interferindo na transmissão do vídeo e não permite que o LCD receba as imagens.
Nesse caso, a solução foi a utilização de um cabo antigo da linha Nikonos (US$ 40), fazendo a conexão com um bulkhead (US$ 137) para Nikonos. Na saída dos cabos desse bulkhead, foi soldado o cabo que traz a imagem da câmera.

Resumindo, todo o tráfego de dados referentes as imagens geradas pela câmera para o monitor de LCD já estavam prontos, faltando apenas a caixa estanque para o LCD.
Com tudo na mão, levei o projeto até a Croma (atual SealPro), para que eles desenvolvessem uma pequena caixa para o LCD com a bateria, com a colocação do cabo Nikonos e uma chave liga-desliga.
O projeto foi elaborado pela eficiente equipe da Croma, e após algum tempo, o projeto foi finalizado e em pleno funcionamento.
Conclusão
De fato, o desenvolvimento desse projeto levou certo tempo, mas o retorno é compensado pela performance ao usar um monitor LCD externo, sem contar com a economia de mais de R$ 4.000 em um produto tão simples.
Agradecimentos
Ao Marcus William da Croma – SealPro por mais esse projeto e ao Carlos Montechi por sempre estar disponível em me ajudar na realização desse projeto.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



