Qual é sua formação e há quantos anos você mergulha ?

Sou graduado em Ciências Biológicas, formado em fotografia pelo SENAC-SP, da época em que ainda se usava filme e ampliava fotos em uma sala com luz vermelha. Além disso, sou instrutor de mergulho recreativo pela PADI.

Em quais estados brasileiros você já mergulhou ?

Começando lá por cima, mergulhei no Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e no interior Goiás e Distrito Federal. Entram na conta Atol das Rocas, Fernando de Noronha e Abrolhos.

Qual foi o mergulho mais bacana que você já fez ?

Depois de mergulhar tantas vezes fica difícil escolher um só… Tenho diversas lembranças misturadas, mas há coisas que nunca esqueço, como por exemplo, ser rodeado por um cardume de bonitos pela primeira vez no parcel sudoeste da Laje de Santos; todos os mergulhos com raias jamanta (em diversos lugares), mergulhar à noite na Corveta V17 em Noronha; ver um tubarão enorme no meu terceiro mergulho da vida, em Alcatrazes; mergulhar com mais de 100 tartarugas no Cabeço Submarino em Noronha; dar de cara com um peixe Lua de alimentando na ilha de Búzios; Mergulhar no Naufrágio do Pecém e no Petroleiro do Acaraú no Ceará, fazer apneia no Barretão do Atol das Rocas.

E qual o mais complicado ?

Faço vários mergulhos com visibilidade baixíssima para monitoramento ambiental em alguns terminais de porto em São Paulo e no Rio de Janeiro. Sempre é complicado…

Numa ocasião, durante uma expedição em 2009 para as Buracas, estruturas geológicas que ficam a mais de 100km para fora de Abrolhos, os mergulhos eram realizados em mar aberto, em rotas de navios comerciais, a uma profundidade que variava de 55 a 95m.   Apesar da logística complicadíssima, barco apertado e mar batendo, cumprimos toda a missão e os mergulhos foram incríveis.

Mergulhando Brasil afora, você passou por alguma situação de risco ?

Já passei por algumas situações perigosas navegando, como capotar com um bote inflável (mais de uma vez, na verdade), ficar a deriva com o motor quebrado e coisas do tipo.

Também já fui varrido por uma onda que passou por cima do píer de embarque de Fernando de Noronha em 2002, se não me engano.

Mas na verdade, mergulhando mesmo, nunca passei por nenhuma situação em que eu tenha pensado “Putz, ferrou !”

Como foi a sua experiência no Atol das Rocas ?

Já estive 6 vezes em Rocas e posso afirmar que lá é um dos meus lugares preferidos do planeta.

Já estive lá por vários motivos, sempre algo ligado a alguma pesquisa científica. Meus lugares preferidos são os inóspitos, onde não há turismo e onde a natureza se apresenta da forma mais primitiva possível. Esse é o caso de Rocas.

No Atol das Rocas ficam poucas pessoas por vez (4 ou 5) e se revezando em projetos de pesquisa e conservação, além de fiscalizar a área. Uma casa simples, sem muitos recursos, sem banheiro e não tem água doce para banho. Quem fica lá tem o suficiente para se virar, fazer sua própria comida, manter a casa em ordem e fazer seu trabalho de pesquisa.

Por lá é possível ver tartarugas enormes subindo para desovar a noite, um ninhal com 200 mil aves gritando dia e noite; é possível lavar a louça na areia da praia (sem detergente e com areia) com tubarões passando a 2m de você na beira da água, mergulhos incríveis com todo tipo de vida marinha dentro das piscinas naturais que se formam dentro do recife na maré baixa, além dos incontáveis naufrágios do lado de fora do atol.

Mais do que ter feito mergulhos e fotos incríveis no atol, o que carrego comigo de mais importante que veio de lá, foram as lições que o atol me ensinou, como dar valor para coisas simples, como água que de beber, por exemplo.

Que é possível viver com um mínimo de conforto e que uma boa cama para dormir, um pouco de sombra durante o dia, um fogão e uma geladeira que funciona de vez em quando, podem ser suficientes pra lhe manter vivo e saudável. O atol me ensinou que existem pessoas que realmente doam suas vidas em prol da preservação da natureza, como a Zelinha, chefe da ReBIO e minha grande amiga.

Seus mergulhos sempre foi ligado aos estudos biológicos ?

No começo sim. Quando fui morar em Fernando de Noronha no ano 2000, minha ideia era passar uns meses como estagiário em um projeto de pesquisa e depois voltar para fazer mestrado. Já era Dive Master na época, e comecei a trabalhar como free lancer em uma operadora local. Quando percebi, já haviam se passado três anos e eu tinha virado instrutor e fotógrafo. A pesquisa ficou de lado e hoje em dia, sou as três coisas, fotógrafo, biólogo e instrutor de mergulho.

Com tantos anos de experiência em nossos mares, você percebeu alguma alteração ?

Com certeza… em alguns lugares pra pior, como algumas partes do litoral Norte de São Paulo, onde não se vê mais peixe algum no fundo e, em alguns lugares (mesmo com alguns problemas), a natureza reagindo.

Um bom exemplo disso é a Laje de Santos. Quando comecei a mergulhar lá, não era parque ainda… o mesmo barco que levava mergulhadores, também levava pessoas para pescar.

Peixes de grande porte a gente não via muito. Hoje em dia, mesmo com a insistência de pescadores ilegais, é possível encontrar grandes cardumes e garoupas enormes.

Você chegou a atuar no mergulho profissional ?

Mergulhador comercial não. Somente como instrutor de mergulho Recreativo, mergulhador técnico em vários níveis e mergulhador científico.

Quando você passou a fotografar e o que o motivou ?

Sempre fotografei desde criança. Meu pai trabalhava como fotógrafo quando eu era criança (agora é biólogo e professor de universidade) e sempre tive contato com câmeras.

Revelava fotos em casa usando a cozinha como laboratório de ampliação preto e branco.

Desde que comecei a mergulhar, sempre pensei em levar uma câmera, mas na época, início dos anos 90, fotografar embaixo d’água não era simples como hoje. Haviam poucas opções de equipamentos, sempre muito caro e ainda tínhamos que comprar e revelar os filmes.

O aprendizado era demorado e custava caro. Demorei um pouco pra conseguir meu primeiro equipamento, uma Nikonos III com lente 35mm e um flash de camelô embutido dentro de um cano de PVC. Hoje, seja por pesquisa, por algum trabalho ou por prazer, não consigo mergulhar sem carregar uma câmera comigo.

Onde você atua hoje em dia ?

Tenho uma empresa de foto e vídeo (não só sub) e atuo em diversas áreas, desde casamentos até fotos subaquáticas para monitoramentos científicos, material didático, reportagens, bancos de imagem, filmagem para pesquisa e programas de TV, e todo tipo de serviço ligado a captura de imagens.

Sou biólogo do Projeto Mantas do Brasil e presto serviço de consultoria para algumas empresas da área ambiental, além de ministrar cursos de mergulho eventualmente.

Por:

Redação

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