O mergulho prometia. O Degrau (ou Parede) do 4 Rodas fica ao norte de Salvador, em frente ao antigo Hotel 4 Rodas, um prédio isolado que se destaca em meio a casas, bem visível do mar. É um dos melhores pontos de mergulho de Salvador devido a prolífica vida marinha e águas transparentes.
Só estive uma vez neste local (ver o relato “Degrau do 4 Rodas”).
Partida marcada na Bahia Marina sábado 09/08 as 07:30h. Infelizmente Fagner e Roberto não poderiam ir conosco pois o compressor teve problemas (as polias desalinharam fazendo arrebentar a correia entre o motor elétrico e o compressor). Assim não puderam preparar todas as misturas respiratórias.
Assim só László e eu iriamos mergulhar. A bordo, dando suporte, o grande e experiente mestre Big.
Por defeito no solenoide eu teria de voar no manual: injetar manualmente oxigênio no circuito do meu rebreather. Para tanto o regulador de oxigênio do meu equipamento foi convertido para pressão absoluta o que faria ele injetar um fluxo de oxigênio constante de 0.75 litros/minuto. Assim não precisaria injetar O2 constantemente.
Na navegação para o ponto avistamos golfinhos, que cruzaram a nossa proa, e jubartes na superfície. Belo espetáculo. Mar de almirante. Dia lindo de inverno na Bahia.
Proa da lancha Blue. Mar tapete. Um pouco a frente do bico de proa a espuma é de um golfinho que acabou de submergir.
Um amigo de László que mora num apê na orla e tem uma câmera com super lente reconheceu a lancha Blue no caminho para Itapoã e tirou uma foto (capa) com zoom e enviou para o zap dele. Rapaz… não se pode mais fazer nada de errado hoje em dia.
Com ajuda do GPS e da sonda, escolhemos o lugar para lançar ancora. Água roxa e sem correnteza, não podíamos desejar mais.
A apenas 100 – 200 metros deste ponto fica a borda da plataforma continental. Avistamos um pequeno barco pesqueiro que estava pescando justamente nesta borda.
Caí com 3 cilindros de bailout clipados junto ao corpo (se o rebreather deixar de funcionar passamos a respirar a partir destes, em circuito aberto). László com outros 2 cilindros e a GoPro.
Na descida para os 62 metros já dava para avistar claramente o fundo a partir dos 30m e o Degrau logo a frente do areal, onde a âncora pousou. Para ganhar tempo decidimos amarrar a carretilha no cabo a 45 metros e descer em diagonal direto para a formação rochosa. Normalmente seguimos até a âncora no fundo e ali prendemos a carretilha.
Logo surgiu um mero curioso observando a gente. Se apresentaram também grandes olhos de boi e um badejo.
Esta espécie veio descendo do Caribe até a costa brasileira. Já foram encontrados até na baía de Camamu, sul de Salvador. Mas achávamos que era uma lenda urbana subaquática.
Nos, do grupo Rebreatheiros da Bahia, nunca havíamos avistado um, apesar da grande frequência com que mergulhamos. Mas ali estava a prova, bela e perigosa, a nossa frente. Não possuem aqui predadores naturais e são muito vorazes. As “plumas” têm uma espinha com veneno poderoso.
László fotografou e filmou. Continuamos seguindo pelo paredão próximos ao fundo a 62 metros. Num ponto subimos o degrau para um platô a 55 metros onde havia esponjas amarelas e uma curiosa formação coralínea parecendo um totem isolado. László encontrou mais 2 lion fish (peixe leão) neste trajeto.
Tínhamos um fundo musical: o canto das jubartes nos acompanhou durante todo o mergulho. A julgar pela clareza do som não deviam estar longe.
Mais peixes apareceram. Badejos e dentões vinham averiguar os seres estranhos, sem bolhas, que invadiam seu ambiente. Tudo isto numa água cristal com 30 a 40 metros de visibilidade horizontal.
Com 50 minutos de fundo iniciamos a subida para fazermos uma descompressão de cerca de 2 horas, com a primeira parada a 30 metros.
Sentimos pelos puxões no cabo da âncora que o mar estava com ondulações. O vento nordeste entrou e sacudia a lancha Blue.
Na parada de 12 metros prendemos ao cabo da lancha nos jon Lines tornar a deco mais confortável.
Ao subirmos a bordo soubemos pelo Big que um grupo de jubartes estava brincando na superfície a apenas 100 metros do barco. Big filmou e László aproveitou as imagens para complementar seu belo vídeo subaquático. Debaixo d’água não vimos elas.
Mergulhaço que pode ser conferido no lindo vídeo anexo do László Mocsári. Apenas lamentamos as ausências dos amigos Fagner e Roberto.
A Bahia é um paraíso para mergulho técnico !
Galeria de Imagens – Por: László Mocsári
Vídeo – Por: László Mocsári

Peter Tofte
Mergulhador técnico e rebreather, com várias especialidades.



