Para fotografar embaixo d’água, os mergulhadores utilizam os chamados flashes subaquáticos, que é nada mais são, do que um flash comum dentro de uma caixa estanque.
Digo “comum”, pois quando um flash apresenta algum tipo de defeito, na maioria dos casos, removendo-se o flash da caixa estanque e levando até um técnico especialista em flashes, normalmente se consegue resolver o problema, pois internamente ele não possuem grandes diferenças em relação aos flashes comuns de superfície.
Em todo caso, cada flash é um flash, e encontramos os mais variados tipos e tecnologias diferentes entre eles. Alguns são mais resistentes, outros nem tanto. O fato é, que todo e qualquer flash pode apresentar algumas falhas e que muitas vezes chegam a irritar o mergulhador, pois como o equipamento envolve eletrônica, nem sempre temos uma solução rápida para resolver o problema, e quando o problema ocorre em uma viagem, pior ainda.
Algum tempo atrás uma amiga comentou sobre um problema com um de seus flashes, pois não sabia mais o fazer para resolver o problema. Simplesmente durante o mergulho, um dos flashes começava a disparar continuamente sem que ela fizesse absolutamente nada no equipamento.
Mesmo desconectado da caixa estanque, o flash disparava continuamente e sem parar.
Verificou os botões de configuração e nada…
Desconectou os cabos e nada…
Não havia outro mergulhador fotografando nas proximidades, e logo descartamos a possibilidade do flash estar disparando em modo slave (escravo).
Não havia sinais de alagamento interno, como o compartimento das baterias.
Solução
Para que um flash dispare é preciso que ocorra algum tipo de interferência que indique para a placa eletrônica que ela deve fazer o disparo.
Segundo a mergulhadora, os disparos contínuos iniciavam no meio do mergulho, o que nos levar à crer que o problema pudesse estar relacionado com aquecimento, pelo tempo em que o flash ficava ligado. Se ocorre um aquecimento a ponto de causar esse transtorno, isso nos remete a duas possibilidades: Problema com algum componente eletrônico e bateria.
Se o flash funciona por alguns minutos e posteriormente passa apresentar os disparos contínuos, significa que por alguns bons minutos, os componentes eletrônicos estão funcionando perfeitamente, e a partir de um dado momento, algo acontece para que os disparos contínuos iniciem.
No caso acima, a mergulhadora utilizava pilhas Eneloop da Sanyo, o que logo chamou minha atenção, pois elas são fabricadas de forma diferente em relação as demais pilhas do mercado. A grande vantagem dessa linha de pilhas e baterias, é que além de serem recarregáveis, possui um um tempo de “reciclagem” muito inferior em relação as demais pilhas. Ou seja, as pilhas Eneloop carregam o flash bem mais rápido que as outras pilhas do mercado.
Levando isso em consideração, pedi que ela realizasse um teste usando baterias alcalinas do tipo Ducacell, que tem muito menos chances de apresentar problemas de fábrica, e bingo… o flash passou a funcionar perfeitamente.
Após alguns testes constatamos que o problema estava nas pilhas Eneloop Sanyo que estavam sendo usadas no flash. Certamente ocorreu algum problema na fabricação delas, o que acabou interferindo na voltagem / temperatura das pilhas.
Pilha defeituosa
Sem um estudo aprofundado, é difícil saber o motivo que levou as pilhas a interferir no flash, pois existem algumas variáveis. Aquecimento, excesso de voltagem, componente químico usado, curtos de contato, dentre outros.
Muito provavelmente ocorreu algum tipo de problema no lote dessas pilhas ocasionando a interferência no flash. Querendo ou não, o flash é um componente eletrônico e com algumas “sensibilidades”, e uma pequena interferência foi capaz de induzir a liberação de energia armazenada nos capacitores, que são os responsáveis pelo armazenamento temporário da energia liberada pelas pilhas. Por alguma razão, a energia armazenada estava sendo liberada, ocasionando os flashes contínuos e indesejados.
Se você passar por algum problema com seu flash como foi o caso acima, a primeira coisa a ser feita, é a imediata substituição das baterias por pilhas alcalinas, pois muitas vezes o problema é simples e nem tão grande quanto se imagina.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



