Normalmente vemos os fotógrafos subaquáticos com suas câmeras e um par de flashes, porque sabemos que o flash faz total diferença na fotografia subaquática, principalmente quando estamos fotografando peixes e demais animais, enquanto eles passam pelos corais, naufrágios e rochas.
Mas nem sempre o flash pode ajudar na fotografia. Aliás, em muitas ocasiões, eles mais atrapalham do que ajudam. Algumas vezes nem desço com eles, porque acho que não terão função e será um peso extra no set de equipamentos.
Abaixo é possível perceber a área de atuação dos flashes durante a captação por um fotógrafo:

A imagem acima, mostra claramente a área do naufrágio que recebera a luz artificial promovida pelos flashes, e mostra que ela foi insuficiente para deixar o ambiente bem claro, e isso está diretamente ligado a potência dos flashes utilizados, suspensão e visibilidade.
O uso dos flashes ajuda muito para clarear ambientes escuros e fazer com que as cores apareçam na fotografia, porque sabemos que quanto maior a profundidade, menos cores surgiram na imagem captada.
Dependendo das condições e do objeto fotografado, mesmo com o posicionamento correto dos flashes, poderão surgir diversos pontos brancos de suspensão da fotografia, dando um enorme trabalho para removê-lo através de um editor de imagens, ou em alguns casos, até praticamente impossível a remoção, ficando com uma imagem perdida. Por isso, é preciso decidir se vale à pena ou não, utilizar os flashes para uma determinada situação.
Em água doce, por exemplo, normalmente encontramos menos peixes, e conforme a tonalidade da água e a claridade do ambiente, isso pode tornar difícil gerar uma imagem dando amplitude do local, e o flash não trará benefício, além de contribuir para que a suspensão apareça muito forte na imagem.
Abaixo uma imagem captada sem flash em água doce:

Na imagem acima, não faz o menor sentido o uso de flash, até porque há uma contraluz fazendo o papel mais importante da foto… gerar a sobra do mergulhador.
Outra situação são os naufrágios.
Se temos um naufrágio a nossa frente e grande quantidade de suspensão na água, também não faz sentido usar o flash. O retorno de pontos brancos irão surgir na imagem e o flash não será capaz de iluminar uma boa área da embarcação, a não ser, é claro, que você esteja iluminando apenas um salão ou alguma peça dele.
Em situações como essa, é preferível fotografar sem flash, usando a luz natural do ambiente.
Abaixo, uma foto tirada sem flash com aproveitamento da luz natural:

Fotos em Preto e Branco
É muito comum alguns fotógrafos perceberem que a imagem não ficou muito boa por causa da suspensão e visibilidade, e fazerem a remoção das cores da imagem, através do processo de conversão para preto e branco, diretamente no editor de imagens.
As imagens em preto e branco ajudam a esconder a suspensão captada, deixando mais difícil a percepção da condição ruim para foto naquele instante em que a imagem foi gerada.
Por isso que é muito comum vermos fotos de grandes navios com mergulhadores próximos ao casco em preto e branco.
Abaixo um simples exemplo de uma foto com suspensão e o resultado dela em preto e branco. É possível notar que fica mais fácil esconder a suspensão usando o padrão preto e branco no processo da edição da imagem:

Conclusão
A arte da fotografia requer mais a criatividade do fotógrafo do que o uso de um set de equipamentos top de linha, e essa arte nos detalhes, enquadramento, ângulo de visão e objetos captados, fazem muitas vezes com que um local simples e sem muitos atrativos, gerem imagens espetaculares e que atraem o público de forma geral.
Com um equipamento extremamente simples, também é possível captar belíssimas imagens, e para isso, o mergulhador deve treinar em todos os sentidos até obter uma boa experiência com seu equipamento fotográfico e pegar a manha do negócio.
A teoria é a base de tudo, mas analisar cada imagem captada, irá permitir a tomada de decisões importantes no momento da captação da imagem, fazendo toda a diferença no final.
Experimente tirar algumas fotos sem flash, e perceba a diferença no resultado final, principalmente, quando falamos de grandes ambientes, com variações na visibilidade e gerando imagens em preto e branco.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



