Gaitor Strap – Como evitar “pescar” cabos

Com o aumento do número de mergulhadores técnicos no Brasil, vêm crescendo também, o número de usuários de roupa seca.

Até pouco tempo, dificilmente víamos algum mergulhador utilizando roupa seca, seja pelo desconhecimento do equipamento, seja pelo custo ou pela disponibilidade no Brasil.

Hoje é possível encontrar uma roupa seca à venda em diversas lojas de mergulho no país, e até mesmo, em classificados de equipamentos usados.

Como todo equipamento de mergulho, a roupa seca possui alguns agregados, como os Gaitors Straps.

Para quem não sabe, os gaitors straps são duas peças fabricadas em cordura e nylon, cujo objetivo, é dificultar a passagem do ar presente no interior da roupa seca, em direção aos pés.

Além disso, ele protege a própria roupa em si, contra possíveis furos, caso o mergulhador venha a se ajoelhar ou se apoiar em alguma superfície que ofereça risco a roupa.

Este equipamento é colocado abaixo dos joelhos e fixado através de três quick releases, tendo como base, um velcro para aumentar a fixação junto à perna do mergulhador, e evitar que fique alguma aba do mesmo solta em pleno mergulho.

Os gaitors straps permitem um fácil ajuste na perna, devido ao elástico presente no quick release.

 

Gaitor Strap com as cintas para dentro.
Gaitor Strap com as cintas para dentro.

 

Mas porque “pescar” cabos ?

No mergulho em caverna ou em ambientes restritos, é comum a utilização de cabos de carretilhas com o intuito de guiar os mergulhadores.

No entanto, o mergulhador deve tomar cuidado na configuração do seu equipamento, a fim de evitar um possível emaranhamento com algum cabo que esteja abaixo d’água.

No caso dos gaitors straps, é comum vermos parte dos elásticos de ajuste, expostos ao meio em si. Isso aumenta as chances de um cabo que esteja embaixo d’água, vir a se prender nesses elásticos, podendo causar um transtorno ao mergulhador.

Uma solução e dica para isso é inverter o posicionamento dos elásticos para dentro do gaitor, juntamente com os passadores de plásticos.

Isso evitará que as pontas dos elásticos fiquem expostas e prontas para “pescar” o primeiro cabo mais próximo para emaranhar o mergulhador, e como todos nós sabemos, a Lei de Murphy existe.

O procedimento é simples e sem dúvida, pode evitar um contratempo durante o mergulho.

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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