Como amante da tecnologia, sempre tive interesse em conhecer todos os lançamentos em equipamentos de mergulho, e na fotografia, não é diferente.
Anos atrás, assim que assisti uma matéria na TV americana com um surfista comentando sobre surf com imagens de uma micro câmera em sua prancha, rapidamente comecei a procurar na internet que câmera era aquela… era uma tal de “GoPro“. Era a primeira edição da câmera que se tornaria uma das câmeras mais famosas em tão pouco tempo.
Os anos se passaram e, agora, a GoPro está na sua 13ª edição com muitas mudanças, melhorias, sistema de estabilização e etc.
Decidi adquirir uma unidade pensando em utilizá-la em viagens específicas, onde levamos menos bagagens.
Analisando os primeiros vídeos, percebi a diferenciação na captação das imagens embaixo d’água no que diz respeito ao ângulo de abertura, pois literalmente, ele cai drasticamente pelo efeito da água e, uma forma de corrigir o problema, é a utilização das novas lentes do tipo “domo angular” que algumas empresas passaram a fabricar e disponibilizar no mercado e que nunca vemos nas operações de mergulho, muito provavelmente em razão do custo.
Mas o que são eles exatamente ?
Domos Angulares
Os domos angulares são lentes fabricadas em acrílico ou vidro, fazendo com que o ângulo de captação da GoPro aumente consideravelmente chegando a incríveis 140º (150º em terra), abrangendo muito mais a área de captação pelo sensor pela câmera.
Outro diferencial é a distância de focagem. A GoPro estando numa caixa estanque embaixo d’água, obriga ao mergulhador a manter uma distância mínima de pelo menos 1m do objeto, para que a imagem não saia fora de foco. Usando um domo angular, é possível captar as imagens apenas 5cm de distância do objeto.
O principal objetivo do domo angular da GoPro, é ampliar o campo de captação, gerando imagens mais profissionais, mas também, permite a captação de objetos mais próximos ao mergulhador.

Conhecendo o produto na prática
Fui mergulhar em Rifaina – SP recentemente e coloquei a GoPro com o domo para conhecer a performance dos produtos na água, e inicialmente é perceptível a diferença no ângulo de abertura.
Claramente dá para perceber a diferença no campo de captação, permitindo que captar cenas de grandes áreas com mais facilidade.
Não recomendo a saltar na água com a GoPro e o domo, pois o impacto poderá ser forte demais para o sistema de fixação do domo e a GoPro. O domo é encaixado em uma base, ficando bem à frente da lente da GoPro, então, recomendo cautela ao entrar na água com este sistema em mãos.
Um aspecto me chamou a atenção no que diz respeito ao preenchimento de água entre a lente do domo e a lente da caixa estanque da GoPro. Notei algumas microbolhas entre eles, sendo necessário se assegurar que todo o espaço entre as lentes seja preenchido pela água, caso contrário, uma microbolha pode impactar na qualidade da imagem obtida.
No geral, o domo se saiu muito bem e com excelentes imagens captadas em um ângulo bem maior, valendo muito à pena o uso deste acessório com a câmera em si.
Devo lembrar, que alguns modelos são compatíveis com sistema de filtros de correção de cores, caso o mergulhador não queira gravar as imagens na configuração D-LOG, basta inserir os filtros e realizar a correção com as placas acrílicas, vendidas separadamente.
Pontos Negativos
O primeiro ponto negativo é realmente o custo, pois em geral, o domo com a base chega a custar o mesmo preço ou mais caro que a própria GoPro.
Domos de acrílico normalmente tem um custo um pouco mais em conta em comparação aos domos de vidro. Os domos de vidro possuem uma qualidade ótica um pouco melhor, mas pouco perceptível.
Uma grande vantagem do domo de acrílico é que havendo algum arranhão, é possível realizar um polimento dele em uma empresa especializada. No caso do domo de vidro, ocorrendo o arranhão, não há o que fazer. Não tem solução pra isso.
Outro ponto importante é o armazenamento. O mergulhador deve redobrar a atenção ao retornar para a embarcação de mergulho, deixando o domo com a câmera em um local bem seguro para evitar a possibilidade de alguém acabar batendo e danificando o domo.
Ao subir na embarcação lave o sistema com água doce imediatamente, não deixe a água salgada secar no domo, e chegando em casa, lave o sistema novamente com água doce. Se puder deixar de molho na água doce de um dia para o outro, melhor, pois diminui as chances de ocorrer a cristalização do sal.
No caso do domo acrílico, existe uma possibilidade maior quanto ao surgimento de mofo se você guardá-lo em ambiente escuro, fechado e sem renovação de ar. Procure deixá-lo guardado em um local bem arejado e longe da humidade.
Conclusão
Minha opinião é que a adição do domo angular vale muito à pena, torna a captação das imagens subaquáticas algo bem mais profissional, além de permitir a captação de imagens próximas da vida marinha.
Vídeo utilizando a GoPro 13 com o domo angular
O vídeo abaixo foi gravado em Playa del Carmen, no México, e ajuda a ter uma noção do quanto o domo angular pode melhorar na captura das imagens pelo mergulhador amante da fotografia e principalmente, do vídeo subaquático.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



