Iniciando as crianças no mergulho

Quando uma criança vê seus pais indo mergulhar, na maioria das vezes ela também quer ir pra ter o primeiro contato com o mergulho. Mas qual a melhor idade para isso ?

Na minha opinião isso depende de cada criança e, antes de levar meu meu filho pra ter o primeiro mergulho, acabei colocando ele em uma aula de natação quando tinha seus 4 ou 5 anos de idade, pra que ele soubesse o básico de natação, pois acho importante que a pessoa conheça o básico ou simplesmente saber boiar.

Sabemos que a roupa de mergulho é fabricada em neoprene, sendo extremamente positiva e não deixando o mergulhador afundar, mas tenho pra mim que só isso não é o ideal, até porque nunca saberemos se em algum momento iremos precisar nadar para salvar a própria vida, não concorda ?

Após mais de dois anos tendo aulas de natação e, agora, com seus sete anos de idade, me senti confortável para que ele desse um segundo passo, e adquiri um kit de equipamento básico (máscara, snorkel e nadadeiras) para crianças. Aliado a isso, também uma camiseta para a proteção contra os raios solares, sendo de extrema importância, pois enquanto realizamos o snorkeling, normalmente ficamos com as costas expostas ao sol.

A pele das crianças é mais sensível, e uma camiseta apropriada é fundamental para a proteção solar e contra um possível contato com animais, como a água viva, por exemplo.

 

Foto: Clécio Mayrink

 

Piscina

Antes de ir para o mar, tirei um domingo ensolarado para apresentar o equipamento básico, explicando alguns detalhes, como apertar e afrouxar a tira da máscara, sobre as nadadeiras, a válvula do snorkel e coisas do tipo.

Como o uso da máscara e snorkel são os pontos mais delicados para apresentar a criança, a primeira coisa que fiz, foi colocá-lo para nadar utilizando apenas as nadadeiras.

Na ocasião, utilizamos um par de nadadeiras abertas da SeaSub, juntamente com um par de meias de algodão, tornando o uso ainda mais confortável.

Como as crianças crescem rápido, o uso das nadadeira com calçadeira aberta é uma grande vantagem, pois serão usadas por mais tempo. À medida em que os pés crescem, você poderá ajustar as tiras conforme a necessidade. Nadadeiras com calçadeira fechada não permitirão esse tipo de ajuste e rapidamente haverá a necessidade de troca.

Com as tiras ajustadas, fomos para a água, e após alguns minutos orientando a forma de batimento de pernas, rapidamente ele aprendeu a se deslocar com as nadadeiras e foi a parte mais fácil na aprendizagem.

 

Foto: Clécio Mayrink

 

Com a experiência adquirida, passamos para o próximo passo: O uso da máscara e snorkel.

Num primeiro momento ele estranhou a máscara, afinal de contas, toda máscara precisa estar bem fixa ao rosto, para que ela possa impedir a entrada de água. Inicialmente ele passou a nadar utilizando somente a máscara com as nadadeiras, indo para todo o canto da piscina.

No segundo dia, colocamos o snorkel e começamos a treinar o mergulho com o equipamento completo, lembrando que é importante deixar a criança sempre à vontade, e sempre manter atenção nela.

É importante em todos os momentos, ter paciência e calma, afinal de contas, mergulhar com esses equipamentos num ambiente ao qual não estamos acostumados, é comum que a pessoa estranhe, e normalmente o processo de aprendizagem é um pouco mais demorado com as crianças.

Conforme ela vai se acostumando aos equipamentos, o desempenho vai melhorando.

Uma forma de deixar a criança mais tranquila, é utilizar uma camiseta em neoprene ou um pequeno colete salva-vidas, pois irá ajudar na flutuação. É muito importante não forçar e deixar que atividade seja uma diversão, e não uma obrigação, caso contrário, você poderá causar algum trauma.

Com o tempo, a criança vai se acostumando e você conseguirá introduzi-la na atividade com cautela e segurança. Ela precisa estar confiante e segura com os equipamentos pra que fique à vontade na água.

Um aspecto importante, é segurar em uma das mãos da criança enquanto estiver realizando o snorkeling. Isso gera segurança e ela ficará mais tranquila.

Meu objetivo inicial era treiná-lo para que pudéssemos realizar um snorkeling na Bahia, saindo de praia, mas infelizmente os planos foram postergados em razão da pandemia no país, mas tão logo consiga ir para o mar com ele, escrevo aqui sobre o andamento do futuro mergulhador.

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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