João Francisco Calmon – Um Lobo do Mar de Santa Catarina

Inspire fundo e mergulhe para conhecer a história de João Francisco Calmon – um florianopolitano de 57 anos, que há dois, decidiu trocar a vida na superfície pelo mundo subaquático. Logo no início da conversa ele abre o jogo: “Eu bebia e levava a vida na farra, até descobrir o mergulho”. E continua: “Sempre tive uma relação forte com o mar e ao mergulhar, sinto como se estivesse em minha nova casa”.

O início da experiência está claro na memória de João Francisco, afinal, não faz tanto tempo. “Meu primeiro mergulho aconteceu no dia 26 de março de 2006, na Colaboração: Roberto Takarashi”, narra. Desde então, o interesse pelo universo submerso se incorporou por completo à rotina deste morador da Praia de Armação do Pântano do Sul.

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Detalhista, João Francisco mantém livros de anotações onde estão registrados cada um dos 300 mergulhos no curto espaço de 700 dias. Pelas contas, ele realizou, aproximadamente, uma visita ao fundo do mar para dois dias que permaneceu fora d’água. “Isto me garante uma quantidade de mergulhos acima da média de praticantes com experiência”, comenta.

Devidamente equipado e protegido, João Francisco chega a passar uma hora submerso, como aconteceu no último 10 de maio de 2008. Acompanhado do amigo e mergulhador, Dionei Ventura, ultrapassou os 20 metros de profundidade à procura do barco Atuneiro Alalunga VII, naufragado próximo à Ilha do Xavier.

Conhecedor da região nos mais de 30 anos trabalhados como mestre de obras, passou a explorar as profundezas do litoral insular. Além de mergulhar nas ilhas dos Moleques do Sul, João Francisco visitou a Ilha do Campeche, Ilha do Francês e Ilha do Arvoredo.

Descobriu os encantos da vida marinha presente no Costão do Pântano, na Praia dos Seixos, na Toca da Baleia, no Costão da Trilha, no Costão da Praia do Matadeiro e na Pontas das Campanhas.

Porém, entre as experiências marcantes em sua trajetória, lembra do mergulho noturno nas ilhas das Três Irmãs, em 2007, feito na companhia do mergulhador e instrutor, Rodrigo Panyagua. “Mergulhamos próximo à Ilha Irmã do Meio. Algo maravilhoso. Lua cheia, mar tranquilo e uma quantidade variada de peixes”, descreve. “Lulas enormes vieram ao nosso encontro, atraídas pelo néon utilizados nos cilindros de ar para a localização pessoal”, recorda.

João Francisco não restringe as atividades ao litoral catarinense. Incansável, está sempre pronto para mergulhar em uma aventura, literalmente. Desceu 30 metros no litoral de Joao-Calmon2

Salvador e conheceu os 120 metros de carcaça do navio grego Cavo Artemidi, afundado em 1980.

No litoral carioca, descobriu os fascínios do fundo do mar na Ilha de Âncora, em Búzios, e desvendou o cenário submerso de Ilhabela, no litoral paulista.

Nesse ritmo, resta algum lugar ainda por explorar ? “Se der tudo certo, vou à Fernando de Noronha ainda este ano”, garante. “Fora do Brasil, tenho vontade de mergulhar em Cuba. Lá há lugares lindos e baratos, comparados aos destinos famosos”, avisa.

Não há como negar: esse homem passou a respirar melhor embaixo d’água. Afinal, “o mergulho está no meu sangue”, define João Francisco.

Por:

Elton Marinho

Jornalista e reside em Florianópolis-SC, apaixonado pelo mar, pratica natação diariamente e participa de travessias aquáticas.

No verão de 2008, mergulhou pela primeira vez, momento em que conheceu João Francisco Calmon, no litoral catarinense.

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