Infelizmente alguns instrutores de mergulho acabam esquecendo de comentar com seus alunos de curso básico, sobre um detalhe na hora de abrir a válvula do cilindro de mergulho e o posicionamento do manômetro.
O manômetro em si, é um equipamento fabricado para medir a alta pressão proveniente dos cilindros de mergulho, mas sabe-se que apesar de raríssimos, já ocorreram alguns problemas / acidentes no momento em que as válvula são abertas e o gás sob alta pressão alcança o manômetro.
Basicamente dois tipos de problemas podem ocorrer durante a abertura da válvula:
- Estouro da mangueira
- Estouro do vidro
O estouro da mangueira pode ocorrer devido ao ressecamento da mesma devido ao uso prolongado, exposição ao sol, e principalmente, pela validade vencida do produto. A probabilidade desse tipo de acidente é muito baixa, mas existe.
Quanto ao estouro do vidro do indicador do manômetro, este sim poderá causar lesões ao mergulhador desatento, pois o vidro poderá saltar em direção ao seu rosto, devido à força da alta pressão do cilindro.
Isso pode ocorrer devido algum tipo de problema de fabricação ou baixa qualidade do material utilizado pelo fabricante.
Para evitar esse tipo de problema, o mergulhador deve abrir a válvula do cilindro de mergulho com uma das mãos, e com a outra, segurar o manômetro com o vidro virado para o chão, pois caso ele venha se soltar do corpo metálico, será lançado para o chão e não contra o corpo do mergulhador.

Sabemos que esses problemas sãos raros, e em mais de 30 anos de mergulho nunca presenciei tal fato, mas se o risco existe, devemos seguir o protocolo e eliminar qualquer possibilidade de acidentes desnecessários.
Meu amigo e instrutor de mergulho Carlos Momoli passou recentemente por uma situação onde o vidro do manômetro saltou inesperadamente, e nada ocorreu, porque seguia o protocolo de abrir a válvula segurando o manômetro virado para baixo.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



