Nas operações de mergulho esbarramos com pessoas boas e felizes, mas como tudo na vida, nem sempre tudo são sempre flores, porque esbarramos também com alguns mergulhadores chatos e muitas vezes até metidos a espertos. Vejamos alguns exemplos:
O espaçoso
Quem aqui nunca esteve em uma embarcação onde um dos mergulhadores vai mexendo nos equipamentos dos demais, coloca sua bolsa de mergulho, espalha todos os equipamentos e não recoloca os objetos dos demais no mesmo lugar que antes ?
Isso acontece bastante e é desagradável, pois normalmente as embarcações não são tão grandes o quanto gostaríamos, e por isso, precisamos respeitar o espaço de cada um, tentando ser o mais gentil possível e sem querer usar todo o espaço.
O tomador de tomadas
Principalmente nos liveaboards, é comum após o dia do mergulho separarmos as baterias para recarregá-las, e por ser uma embarcação, nem sempre há disponibilidade de uma boa quantidade de tomadas para ligar os carregadores.
Não sendo grande essa disponibilidade, precisamos usar o número de tomadas de forma que haja disponibilidade para os demais mergulhadores.
Numa ocasião onde haviam 15 tomadas, quase 10 delas eram usadas por uma só pessoa, o que além de atrapalhar os demais, acabou causando um constrangimento entre aqueles que precisam recarregar as baterias.
Procure usar a quantidade necessária, desde que não interfira nos procedimentos dos demais mergulhadores, afinal de contas, estamos ali para nos divertir e aproveitar os mergulhos.
O arremessador
Nas áreas secas de uma embarcação normalmente colocamos as bolsas com os objetos secos, como roupas extras, toalhas, eletrônicos e coisas do tipo, e independente do que se tenha no interior dessas bolsas, precisamos ter muito cuidado ao manusear os objetos dos demais mergulhadores.
Já não é legal manusear os objetos dos demais, mas pior ainda, aquele mergulhador que ao tentar acessar sua bolsa seca, sai jogando as demais bolsas de um lado para o outro, não se importando se algo vai quebrar ou ficar danificado.
Tenha sempre cuidado com as demais bolsas como se fossem seus objetos.
Bolsa de mergulho não é no banco
Alguns mergulhadores tem a mania de deixar a bolsa de mergulho largada no banco onde os mergulhadores irão sentar. Isso além de incomodar os demais, ocupa espaço, cria transtorno e atrapalha a operação que já inicia com a possibilidade de algum integrante ficar incomodado e fazer feia em razão do mergulhador espaçoso e que não se preocupa com seus limites.
Acabou de montar o equipamento, guarde a bolsa abaixo do banco ou no local apropriado para isso. Toda embarcação de mergulho possui local apropriado para isso e certamente não irá incomodar nenhum integrante.
O degolador de sol
Em muitos casos encontramos um deck frontal ou superior na embarcação, onde muitos procuram pegar um pouco de sol durante a navegação.
É um momento de desfrute de todos, e é desagradável encontrar uma pessoa deitada com seus braços e pernas esticados como se o sol fosse somente dele, ocupando grande espaço do local. Saber dividir o espaço é respeitar os demais. Lembre-se disso !
Gritando no barco
Felizmente são raros, mas existem pessoas que realmente falam muito alto na embarcação. Isso é incômodo, principalmente se uma boa parte está descansando após mergulhos cansativos por causa da correnteza e coisas do tipo… ou em situações onde algum mergulhador esteja passando mal. Ficar ali escutando um sujeito gritando de forma exagerada, ninguém merece.
Fumar no barco após o mergulho
Se não for uma embarcação particular, fumar na embarcação após o mergulho deveria ser proibido. Isso além de fazer mal, incomoda quem não fuma e a atitude não condiz com a atividade.
Óbvio que deixar de fumar para um fumante é muito difícil, mas o odor pra quem não fuma é terrível e incômodo.
Caixinha Bluetooth
De uns tempos pra cá surgiram as famosas caixinhas Bluetooth, que se conectam com o telefone celular e tocam músicas. Essas caixinhas são muito potentes e emitem um som bem alto.
Se não for a pedido do proprietário da embarcação, tenha cuidado para não incomodar as demais pessoas. Ninguém é obrigado a escutar sua lista de músicas (playlist) e, muito menos, a gostar dela.
Lembro de uma ocasião onde fui obrigado a ficar escutando funk em toda a navegação, onde só faltaram as “chuchucas” aparecerem e rebolarem até o chão.
Imagine um dia ensolarado e mar calmo, e aquele funk tocando nos ouvidos… foi um dia difícil pra quem não gosta do estilo de música, como é o meu caso.
Espertinho
Já vi muita coisa, mas métodos de enrolar os agentes aeroportuários são mais comuns do que parece. Isso acontece no aspecto “peso de bagagem”, que cá entre nós, sempre é um transtorno na hora do check-in.
O mais cara de pau é aquele que põe a bagagem na balança e friamente, coloca o pezinho abaixo dela e empurra para cima, fazendo com que o display de pesagem indique uma pesagem inferior. Tem que ser profissional pra fazer isso, não acha ?
Outra mais comum é a “pochete”, que apesar de fora de moda, é comum entre alguns mergulhadores.
As pochetes grandes e normalmente usadas em trilhas, são as mais utilizadas por alguns mergulhadores, permitindo a colocação de até dois reguladores (sem mangueiras), chegando a diminuir aproximadamente 6Kg na bagagem de mão ou despachada.
O sujeito viaja para a cidade de Recife num baita verão e usando um casaco grande para esconder a pochete e não chamar a atenção do agente do check-in.
Essa você nunca tinha pensado, não é ?


Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



