Mergulhando no Naufrágio Paulista de Paraty

A cidade de Paraty localizada no litoral sul do Rio de Janeiro, é muito conhecida pela arquitetura colonial, suas ruas de pedras e belas paisagens, sendo um local muito procurado por escolas de mergulho para a realização de check-out.

Com águas calmas e tranquilas, além de algumas ilhas nas proximidades, tornam Paraty um local atraente para os mergulhadores.

Algumas décadas atrás, foi “reencontrado” o naufrágio de um pequeno cargueiro à vapor chamado “Paulista“. Uma equipe de mergulhadores foi até o local e repassaram a marca GPS ao Brasil Mergulho, para que fosse divulgada à todos.

Digo isso porque poucos possuíam a marcação GPS e infelizmente não divulgavam com objetivos diversos.

O navio Paulista era um pequeno vapor de cabotagem que estava indo para o Rio de Janeiro com uma carga composta de madeira, café e diversos outros gêneros, quando teve seu eixo partido, o que ocasionou um grande vazamento e consequentemente, seu naufrágio. Não houve vítimas.

 

 

Mergulho

Após uma agradável navegação até o local do naufrágio, com mar parado e sol a pino, mas quando estávamos chegando ao ponto de mergulho, fui informado que a sonda da embarcação que estávamos utilizando de uma operadora, simplesmente havia quebrado, e com o espanto de todos, pois como iríamos encontrar o naufrágio que fica localizado no meio do nada e sem referência alguma, só com a do GPS ?

Felizmente os anos buscando naufrágios e a experiência em mergulho, permitiram encontrá-lo com facilidade, utilizando a técnica da garateia lançada ao fundo. Particularmente não gosto de usá-la, pois normalmente tende a diminuir bastante a visibilidade, caso seja necessário passar muitas vezes, mas era um dia especial e na primeira passagem, consegui fixá-la com facilidade.

Iniciamos o mergulho colocando um cabo guia que, pois a visibilidade média gira em torno de 1 à 3m no fundo lodoso. Até os 20m, eventualmente encontramos uma visibilidade que chega alcançar os 15m, mas o problema é quando chega-se próximo ao fundo, sendo necessário usar carretilhas.

Uma boa parte da carga da madeira ainda se encontra no local. É possível avistar o leme e o hélice do navio, facilitada pela posição em navegação no fundo lodoso.

É um mergulho que deve ser feito por pessoas experientes, pois normalmente encontramos redes de pesca no local, e a possibilidade de enrosco é muito grande.

 

Foto: Clécio Mayrink

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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