Recentemente tive a oportunidade de realizar um mergulho profundo em uma Câmara Hiperbárica, e foi muito interessante.
Sempre tive curiosidade em saber como era “mergulhar” usando uma câmara dessas, mas infelizmente nunca consegui coincidir os horários com as disponibilidades e convites que surgiram, mas felizmente este ano surgiu uma nova chance.
O convite me foi feito pelo amigo e instrutor de mergulho técnico e caverna, Vagner Marretti, de São Paulo.
Era um belo domingo ensolarado, e lá estava pegando estrada em direção ao local onde a câmara hiperbárica se encontrava.
Em tese, imaginamos que num “mergulho” desses, só iremos sentir a pressão nos ouvidos, a necessidade de compensá-los, e só, mas na prática não é bem assim.
Na ocasião “descemos” até os 50m de profundidade, e à medida que o ar vai sendo enviado para a câmara e comprimido, ele se torna muito mais denso. Movimentando a mão em pleno “ar”, você percebe o deslocamento muito maior do ar.
Por essa razão, quando inspiramos, também é possível perceber esse volume maior entrando nos pulmões, e impressiona.
Outro aspecto é a alteração na voz. Sim, isso ocorre mesmo com o ar comprimido sem a adição do Hélio.
No final, ficamos alguns minutos na profundidade máxima planejada e foi iniciada a subida com descompressão.
Foi uma experiência diferente, muito interessante e recomendável para quem puder passar por ela algum dia.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



