O mergulho na água doce presente em minas de extração, em alguns casos pode oferecer riscos mais elevados do que o mergulho na grande maioria das cavernas naturais, em razão do tipo de perfuração e trabalhos efetuados nela.
Uma caverna é formada por um longo período de tempo e sua estabilidade tende a ser maior. Já as minas de extração são cavidades escavadas por um período de tempo mais curto e muitas vezes com a utilização de explosivos.
Em todo o caso, uma mina de extração pode oferecer um excelente ambiente de treinamento para os mergulhadores, sendo possível reproduzir diversas situações emergenciais que o mergulhador poderá passar em algum mergulho de caverna, contribuindo assim, para um bom treinamento do mergulhador.
Se você pretende realizar um mergulho em alguma mina pouco explorada, você deve considerar alguns aspectos.
Perigos
- Estabilidade de passagem
- Possibilidade de emaranhamento e armadilhas
- Toxicidade da água
- Toxicidade do ar
- Rocha residual
- Pisos falsos
- Baixa temperatura da água
Checagens
- Requisitos de acesso ou autorizações especiais necessárias;
- História da mina (dá uma ideia do que esperar);
- Pesquisas do período de atividade;
- Pesquisas com mergulhadores que já visitaram o local.
Pré-Mergulho
- Estabilidade da passagem de entrada
- Acesso à água
- Equipamento necessário para acessar a água
- Considerações de descompressão
- Plano emergencial
Mergulho
- Métodos de pesquisa padrão dever ser usados com cautela;
- A direção muitas vezes pode não pode ser prevista por características do local, como a passagem e ondulações na lama;
- Algumas minas com metais podem resultar leituras não confiáveis de bússola;
- Permanecer parado por muito tempo em um determinado ponto poderá causar um colapso do teto, pois as bolhas tornarão o teto menos estável, pela possibilidade de fraturas;
- A visibilidade pode reduzir a zero muito rapidamente;
- Jamais deixe de respirar pelo regulador, mesmo em bolsões de ar;
- Eventualmente peças ou partes de metal como pequenos canos, podem surgir à frente do mergulhador, sendo importante manter distância para evitar possíveis cortes na pele ou roupa seca;
- Havendo treinamento de mergulhadores, sinalize bem o local para evitar a possibilidade de desorientação dos mergulhadores.
Pós-Mergulho
Lave bem os equipamentos e tenha em mente que muitas minas podem ter níveis alcalinos ou ácidos mais altos que a maioria das águas de cavernas naturais.
É importante remover todo o tipo de resíduo que por ventura venha a ficar grudado no equipamento.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



