Mergulho na Caverna Madison Blue na Flórida

Esse ano tive a oportunidade de visitar mais uma vez o DEMA Show, que é a maior feira mundial sobre mergulho, onde encontramos as últimas novidades do mercado mundial do mergulho, e nessa viagem, fui convidado pelo meu amigo Emerson Covisi que atualmente mora na cidade de Orlando, para realizar alguns mergulhos nas cavernas ao norte da Flórida.

O Emerson é um dos mergulhadores brasileiros com maior número de mergulhos nas cavernas por lá e um dos mais experientes, e não poderia perder essa oportunidade.

Durante os planejamentos, acabou se juntando a nós, outra dupla de mergulhadores brasileiros, o Vagner Marretti, que é instrutor e especialista em manutenção de equipamentos da Scuba Repair, e sua parceira Vanessa Natsue.

 

Saindo para as cavernas

Após o DEMA Show, eu teria dois dias disponíveis para mergulho, então, decidimos deixar o mergulho em Ginnie Springs para o último dia, por estar mais próximo da cidade de Orlando, e com isso, acabamos indo no primeiro dia para a caverna de Madison Blue, pois nunca havia mergulhado nela.

A viagem a partir de Orlando dura em torno de 2h, dirigindo pelas maravilhosas rodovias americanas.

As águas de Madison Blue, assim como muitas outras cavernas da região, deságua no Rio Suwannee e está dentro do Madison Blue Springs State Park, um parque estadual local, mantido pelo governo americano.

Para entrar no parque, pagamos uma pequena taxa que varia entre US$ 2 e 5, conforme o número de passageiros por veículo. No local, há um estacionamento e banheiros razoavelmente grandes, onde é possível trocar de roupa e tomar um banho. O acesso até o lago da caverna é feito por uma passarela de madeira, com algumas escadas ao final, onde encontramos aquela água maravilhosa com tom azulado e que deixa os mergulhadores de boca aberta, com tamanha claridade da água.

 

Mergulho

Ao entrar no lago, logo é possível visualizar a entrada da caverna. Ela é apertada no início, mas abre um pouco depois, conforme a incursão e assim continua.

O cabeamento é muito bem feito e o time seguiu em frente com o Emerson guiando, possibilitando apreciar os condutos, salões e belezas naturais que o ambiente propicia. Um detalhe me chamou a atenção… o ruído de veículos passando sob a caverna. Uma estrada passa exatamente acima da caverna, permitindo escutar alguns sons oriundos das vibrações da estrutura.

As cavernas da Flórida são de invejar, em razão da facilidade com que se mergulha nos locais, estrutura e ausência da burocracia.

Alcançando o terço, iniciamos o retorno em direção à saída da caverna, sendo um mergulho bem tranquilo.

 

Dicas

Madison Blue está um pouco distante da cidade de High Springs, a cidade base dos mergulhadores de cavernas que frequentam as cavernas do norte da Flórida.

É importante levar um bom lanche, bebidas e alguns aperitivos, pois a caverna está dentro de um parque estadual e infelizmente não há nada para ser comprado por lá e nas proximidades.

Os mosquitos incomodam… O Ziba, outro caverneiro amigo meu, havia comentado que Madison sofria um pouco com esse problema, e de fato, pude constatar isso. Numa determinada hora do dia, havia muitos mosquitos voando ao nosso redor e chegando a incomodar. Um repelente talvez possa ajudar a deixá-los um pouco longe e trazer mais tranquilidade na hora da montagem dos equipamentos.

O parque de Madison está localizado na 8300 NE State Road 6 Lee, e abre todos os dias do ano a partir das 8h da manhã. Antes de ir até lá, procure verificar as condições de mergulho, pois algumas vezes o parque é fechado por problemas com enchentes, pelo excesso de chuvas.

O GPS do local é este: 30° 28.871′ N / 83° 14.659′ W

Ficam meus agradecimentos por toda gentileza, apoio e mergulhos ao Emerson Covisi e família, além da dupla Vanessa e Vagner, por integrarem a equipe na viagem e nos mergulhos.

 

Galeria de Imagens

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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