Confesso que sou um verdadeiro amante de mergulhos em água doce. A ausência do sal e a diferente na aquacidade em relação ao mar devido à densidade da água, exigem uma habilidade peculiar durante os mergulhos. São rios, represas, lagos, cavernas, e agora o mais recente, pelo menos pra mim: Mergulho em Cachoeiras Históricas.
O Mergulho em Cachoeiras Históricas de Minas Gerais, precisamente na Estrada Real, traz à modalidade uma grande variedade e diversidade quando o assunto é natureza.
Pensando nos diferentes tipos de mergulho que já realizei em água doce, resolvi ir mais além e começar a praticar o mergulho autônomo em cachoeiras históricas mineiras. Foi por estas bandas que pude topar com gente simples, humilde, jeitosa e muito acolhedora. E foi lá, nas formosas águas da Estrada Real, onde aprendi que a beleza submersa está diretamente relacionada à beleza externa.
Localizadas no sul de Minas, as cidades de Luminárias e Carrancas possuem muitas características em comum. Se focarmos apenas o contexto histórico, perceberemos que ambas estão no Caminho Velho da Estrada Real, o principal produto turístico do Estado, utilizado durante séculos por desbravadores em busca de riquezas e descobertas. E foi nestas duas cidades que vivi as primeiras experiências, e pude também, “ecovivenciar” como os antigos, as riquezas e belezas, mas agora no mundo submerso.
A primeira experiência foi na Cachoeira do Mandembe, na zona rural de Luminárias-MG.
No início, quando vi a cachoeira e o tamanho do poço, comecei logo a julgar o potencial daquele possível ponto de mergulho. Quando olhei de fora, questionei a dimensão do poço. Parecia que o mergulho seria bem raso, curto e sem grandes emoções.
Para a minha grande surpresa, ao iniciar o mergulho, acabei logo com meu questionamento. A dimensão da área era bem maior do que parecia. Pude perceber bem o resultado de muitos anos entre a colisão entre a água e as rochas. Os vários ambientes de teto me lembraram logo mergulho em caverna. A boa visibilidade (10m), as diferentes formações rochosas que formam pequenos ambientes de penetração e a visão submarina da cachoeira formam um conjunto incrível. Sem contar a pequena caminhada até a cachoeira dentro de uma mata preservada, promovendo um contato ainda maior com a natureza.
Já que havia me surpreendido com uma cachoeira entre muitas, porque não descobrir mais alguma ?
Após alguns estudos, me deparei com a primeira dificuldade: na região da Estrada Real há centenas de cachoeiras. O segundo problema é que destas centenas, a maioria é inviável devido à dificuldade de acesso ao local com os equipamentos.
Após muito estudo, contato com profissionais que conheciam bem a região e um bom planejamento, fui conhecer e mergulhar na Cascata da Zilda em Carrancas-MG.
Foram mais de três horas entre idas e vindas carregando cilindros e demais equipamentos no braço. Praticamente a operação durou o dia todo. O normal seria me queixar de tamanho esforço, porém, a recompensa foi grande.
Desta vez a queda da cachoeira e o poço eram maiores. Um local quase intocável, onde a dificuldade do acesso é um grande aliado na preservação local.
Assim como na Cachoeira do Mandembe, a Cascata da Zilda possui ambientes de teto e belas formações rochosas. Tais formações formam abrigos que são ótimos esconderijos para a ictiofauna. Além de muitos cardumes de lambaris, a ótima visibilidade (12 m) e a vantagem da presença da luz solar durante boa parte do dia, merece destaque o visual da cachoeira vista debaixo. Sensacional.
Pontos de Mergulhos
Cachoeira do Mandembe – Luminárias-MG
- Profundidade Máxima: 4,4m
- Profundidade Média: 3 m
- Visibilidade: 10 m
- Temperatura média da água: 18°C
- Acesso: Via trilha por aproximadamente 10min
- Características principais: Ideal para fotografias sub, ambientes de teto, formações rochosas belíssimas, ictiofauna diversificada com especial atenção aos cardumes de lambaris e a bela visão sub da cachoeira, além de ambientes com pequenas penetrações.
Cascata da Zilda – Carrancas-MG
- Profundidade Máxima: 5m
- Profundidade Média: 3m
- Visibilidade: 12m
- Temperatura média da água: 18°C
- Acesso: Via trilha por aproximadamente 40 min
- Características principais: Atualmente o mergulho autônomo é comercializado em agências e receptivos de Luminárias e Carrancas. A contratação de um guia local é obrigatória. É importante estar atento às chuvas fortes que podem provocar trombas d’água.
Agências de Turismo: Ecovivências Ecoturismo – (35) 9951-6070
Galeria de Imagens

Gilney Fernandes Lima
Bacharéu em Turismo, MBA Executivo em Turismo, Hospitalidade e especialista em Ecoturismo e Planejamento de Áreas Naturais.
Iniciou o mergulho autônomo em 2004, sendo Dive Master.
Tem como especialidade mergulho em águas doces em diversas localidades no Brasil, sendo Cave Diver IANTD, Advanced Nitrox SSI e possui dentre várias especializações.



