Mergulho na História – Válvula com reserva, já ouviu falar ?

Muitos mergulhadores novatos já escutaram falar sobre a válvula com reserva, mas o que seria isso ?

Os famosos manômetros que todos conhecem atualmente, se tornaram um equipamento básico em todo e qualquer mergulho. Hoje imaginar alguém descendo sem um manômetro, é pensar que esse mergulhador é realmente um louco, então, atualmente é inimaginável encontrar alguém realizando mergulho autônomo sem um manômetro para que se saiba a quantidade de gás presente no interior no cilindro de mergulho.

O que hoje é básico, no passado foi considerado artigo de luxo, devido ao alto custo e dificuldade na aquisição de um manômetro, lembrando que no passado eles nem estavam disponíveis.

Então, como o mergulhador sabia a quantidade de gás disponível no cilindro de mergulho ?

Podemos dizer que o percursor do atual manômetro foram as chamadas válvulas com reserva, que indicavam ao mergulhador quando o gás no cilindro estava acabando.

 

Antiga válvula J com a haste metálica para acionamento da reserva

 

Funcionamento

A válvula com reserva possui um formato bem próximo das atuais toneiras usadas nos cilindros de mergulho, mas com um pequeno diferencial, que como o próprio nome diz, seria chamada a reserva.

Dentro desse tipo de válvula, há um mecanismo que funcionava com base na pressão do cilindro. Quando a pressão chegava nos 600 a 750 PSI, a respiração ficava bem mais pesada, ficando cada vez mais difícil de respirar, e esse era o aviso ao mergulhador que a pressão do gás atingira um patamar e que era a hora de sair da água.

Quando o mergulhador percebia que a pressão havia alcançado esse nível, ele puxava com uma das mãos, uma vareta comprida e metálica na lateral do cilindro. Isso fazia com que a vareta alterasse um dispositivo na válvula, liberando o restante do gás com fluxo normal, tornando a respiração facilitada, como no início do mergulho.

 

Riscos

Além da falta de precisão quanto a quantidade de gás presente no cilindro de mergulho, o uso da válvula com reserva trazia riscos ao mergulhador.

Antes do início do mergulho, a pessoa precisava se certificar que a válvula estava com o chamado “puxador” (local onde a vareta metálica era conectada) para cima, para ter a certeza de que a vareta estava na posição correta e que a válvula avisaria ao mergulhador sobre a diminuição do gás. Do contrário, o mergulhador só iria perceber a queda da pressão quando o cilindro estava realmente sem gás.

Outro risco, era a possibilidade de algo bater na vareta da reserva e acabar fazendo o acionamento da reserva sem que o mergulhador percebesse, e quando ele tomasse conhecimento de que o gás estava baixa , era por que realmente a quantidade de gás no cilindro estava baixa, não havendo muito tempo para sair da água.

 

Válvula usada atualmente

 

Aumento na segurança

Hoje todos os mergulhadores passaram a usar o manômetro de imersão e as válvulas com reserva caíram em desuso, tornando o mergulho muito mais seguro e preciso.

Apesar de diversos computadores de mergulho informarem a quantidade de gás presente no cilindro de mergulho, ainda hoje, os manômetros de imersão continuam sendo peça fundamento na segurança do mergulhador, principalmente pela simplicidade e confiabilidade que esses dispositivos apresentam.

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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