Quem me conhece, sabe o quanto gosto de mergulhar em naufrágios antigos, e por mais que eu já tenha visitado alguns deles, voltar e poder apreciá-los novamente sempre acaba deixando boas lembranças.
Foi o caso dos naufrágios Bretagne e Germânia, localizados nas proximidades do Farol da Barra, em Salvador-BA.
O naufrágio Germânia naufragou em 16/08/1876, pois acabou encalhando, não conseguiu sobreviver e por ali mesmo acabou ficando.
Já o navio Bretagne acabou colidindo contra o naufrágio Germânia, teve seu cabo de leme rompido e também naufragou por ali, criando uma extensa área com muitas partes metálicas do que sobrou dos dois afundamentos.
O mergulho
Minha visita aos naufrágios foi realizada com a operadora Shark Dive, que está localizada na Marina Porto Salvador, bem ao lado do Terminal Turístico de Salvador, onde as barcas que partem para Itaparica e Morro de São Paulo saem levando centenas de turistas durante todo o ano.
A navegação desde a marina até os naufrágios é muito rápida, não passando dos 30min em marcha lenta, e as pessoas mais sensíveis às ondulações não terão problemas, pois o mar naquela localidade costuma ser bem tranquilo, e os mergulhos são realizados durante o horário em que a maré não é atuante, do contrário, o mergulhador poderia pegar fortes correntes. Por esse motivo os horários alternativos de cada dia de saída para o mar, sendo importante entrar em contato previamente com a operadora para obter os horários de cada dia de operação de mergulho.
Ao chegar ao ponto de mergulho, já era possível observar os naufrágios do bordo da embarcação, face à baixa profundidade e transparência da água por lá, mesmo pegando condições não tão propícias por causa de uma mudança climática rara que aconteceu na semana em que estive passando por Salvador.
Tão logo a embarcação parou no local, iniciamos o mergulho, onde alcançamos a profundidade máxima de 9m, apenas.
O mergulho transcorreu com muita tranquilidade, sendo possível apreciar as enormes estruturas dos dois naufrágios amontoados no fundo marinho em uma paz completa.
Avistamos muitos peixes coloridos vivendo entre as estruturas metálicas, âncoras deitadas no fundo, dentre outros, tudo aquilo mostrando a perda dos antigos navios para o mar.

Vale muito a pena o uso de uma boa lanterna neste mergulho, pois ela permitirá visualizar as áreas de sombra pelo que sobrou desses naufrágios.
É possível esbarrar com algumas espécies de peixes que se destacam diante tanta beleza do colorido e que chamam bastante a atenção, pois alguns deles, não vemos na região sudeste.
As estruturas dos navios estão bem desmanteladas em razão da baixa profundidade, proximidade com a terra e as fortes correntes da Baía de Todos os Santos atuando ao longo de todos esses anos sobre os naufrágios.
É um mergulho extremamente tranquilo, raso e que chega a dar a vontade de não querer voltar para a embarcação de mergulho, tamanha tranquilidade, paz, beleza e por ser extremamente relaxante.
Ao retornar para a embarcação, recebemos o lanche de bordo com a excelente vista para o histórico Farol da Barra, fechando o dia de mergulho com chave de ouro.
Quem leva
A Shark Dive realiza operações frequentes nesses naufrágios, além de muito outros por lá, como os novos naufrágios artificiais Agenor Gordilho e rebocador Vega.
A embarcação é excelente, conta com equipe profissional, nos fazendo sentir em casa. Além disso possuem toda estrutura para recarga, mistura Nitrox, aluguel de equipamentos, cursos e turismo.
O site da Shark Dive é www.sharkdive.com.br
Nossos agradecimentos ao Igor Carneiro, Bruno Menezes, Waltinho e Doroth, por todo atendimento prestado a nossa equipe.
Galeria de Imagens

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



