Nápoles – Tesouros no “porto do vício” romano

O spa submerso na Baía de Nápoles, na Itália, atrai mergulhadores e praticantes de snorkel, mas recentemente, uma equipe do parque subaquático descobriu uma área que permanecia invisível desde os tempos da Roma Antiga.

Os mergulhadores notaram pedaços de alvenaria entre leitos de ervas marinhas ao norte de uma área já escavada chamada Terme del Lacus, e durante a investigação encontraram novas colunas, novos pisos, um bloco totalmente novo para brincar.

No centro do próprio Terme del Lacus, os mergulhadores do parque ficaram entusiasmados ao encontrar um novo mosaico, descrito como um “entrelaçamento psicodélico de linhas geométricas feitas com azulejos coloridos”. Isso ainda não foi totalmente revelado.

A Baía de Nápoles foi uma estância termal da moda para a elite de Roma, durante um período de seis séculos, entre 100 aC e 500 dC, com imperadores como Júlio César, Nero, Calígula e Adriano hospedados em vilas por lá.

No entanto, a atividade vulcânica que criou as suas fontes termais, também causou a subsidência que gradualmente selou o seu destino. No passado, descrito como um “vórtice de luxo”, porto do vício”, o complexo submerso fica próximo da comunidade de Pozzuoli.

 

Piso de mármore – Foto: Operadora Naumacos

 

Coluna de Pedra

Os levantamentos da área recém-descoberta estão sendo realizados pela Naumacos Underwater Archaeology & Technology e pelo Parque Arqueológico Campi Flegrei, que supervisiona o local.

As duas organizações colaboram há muito tempo na investigação da Baía de Nápoles e os seus mergulhadores estão documentando os vestígios visíveis no fundo do mar, enquanto tentam estabelecer até que ponto a área se estende para além dos 80m² já observados.

Uma coluna de pedra parcialmente desmoronada foi localizada e, entre várias colunas, está uma feita do precioso mármore Portasanta importado da ilha grega de Chios. Embora quebrado, foi relatado que estava bem preservado.

Uma grande seção de piso opus sectile, na qual materiais cortados são incrustados para formar um desenho ou imagem, também foi identificada. Este foi fabricado em mármore com lajes alternadas de branco e cinza-preto e rosa Portasanta, o que data o piso do período posterior de construção da Baia de Nápoles. Acredita-se que os restos mortais faziam parte de vilas romanas.

“Talvez devêssemos ter esperado isto, visto que uma estátua de Apolo foi encontrada nesta área há alguns anos”, comentou Campi Flegrei. A estátua quebrada e sem cabeça descoberta em 2013 foi restaurada no Instituto Central de Restauração de Roma e só recentemente foi identificada como representando o deus sol.

Os mergulhadores visitantes podem reservar mergulhos no Centro de Mergulho do Parque Arqueológico Campi Flegrei, em Pozzuoli. Dois mergulhos custam 65€.

 

Varredura Side Scan – Créditos: Instituto de Ciências do Patrimônio Cultural

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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