Por 500 anos, o Mar Báltico manteve em suas profundezas um navio da era da Renascença. Sua frota desapareceu há muito tempo, mas a embarcação renascentista de repente reapareceu e notavelmente bem preservada nas águas geladas do Báltico.

O primeiro indício de sua existência ocorreu em 2009, quando uma pesquisa de sonar realizada pela Administração Marítima da Suécia registrou uma falha anômala no fundo do Mar Báltico. Então, no início deste ano, uma câmera robótica usada por uma equipe comercial que examinava uma rota submarina para um gasoduto mostrou o que seria um misterioso casco.

Em março, uma equipe internacional de cientistas levou dois de robôs para explorar e documentar o que acabou sendo o veleiro da Renascença.

“É incrível”, disse Rodrigo Pacheco-Ruiz, um arqueólogo marítimo da Universidade de Southampton, na Grã-Bretanha, que liderou a investigação.

A falta de oxigênio nas profundezas geladas diminui a degradação dos naufrágios de madeira.

A equipe de pesquisa e que inclui vários estudantes de doutorado, encontrou o navio deitado intacto, com casco bem preservado, da quilha ao convés, bem como seus mastros e algumas cordas.

Vários itens raros também foram visualizados a bordo do antigo naufrágio, incluindo uma bomba de porão de madeira e um cabrestante, um cilindro largo usado para enrolar comprimentos de corda. A âncora do navio também foi encontrada, e sua presença ajudou a datar os destroços como sendo do final do século 15 ou início do século 16, afirma Pacheco-Ruiz.

A embarcação era provavelmente uma embarcação mercante em vez de um navio de guerra, mas tinha armas giratórias – “um testemunho da tensão” na época, de acordo com uma declaração de um dos membros da expedição.

Em uma entrevista, o Dr. Pacheco-Ruiz afirma que o naufrágio deve ter algo em torno dos 52 a 60m de comprimento.

Não se sabe a real identificação deste naufrágio, mas os arqueólogos marítimos o chamam de Okänt Skepp, que em sueco significa “navio desconhecido”. O Dr. Pacheco-Ruiz e sua equipe estão deliberadamente mantendo sua localização exata em segredo, para deter os catadores e caçadores de tesouros.

Eles planejam retornar ao local do Báltico para novas explorações, em particular para recuperar uma prancha de madeira. Análises laboratoriais podem datar a madeira antiga, o que ajudaria a identificar exatamente quando o navio foi construído e colocado no mar.

Alta tecnologia

A equipe arqueológica iluminou os destroços com luzes de alta potência e tirou milhares de fotos em alta resolução. Com a ajuda de um computador, as imagens foram processadas, gerando uma imagem em larga escala em detalhes tridimensionais. Tais compostos podem ser surpreendentemente claros e nítidos, comparados a quadros únicos, e também podem revelar o naufrágio como um todo.

Em 2016, o Dr. Pacheco-Ruiz usou o mesmo método em um navio medieval encontrado no fundo do Mar Negro. Os retratos capturaram em detalhes notáveis. Essa expedição também foi organizada pelos arqueólogos marítimos de Southampton.

Em uma entrevista, Johan Rönnby, diretor do Instituto de Pesquisa em Arqueologia Marítima da Universidade Södertörn, disse que o naufrágio do Báltico foi importante porque abriu uma nova janela para o desenvolvimento dos primeiros veleiros modernos e a era resultante da exploração global.

Assista as primeiras imagens do naufrágio abaixo

Por:

Redação

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