Em Antigua Naval Dockyard, âncoras históricas, canhões e cabrestantes estão em exibição contínua, comprovando o papel fundamental que desempenhou o local como um porto seguro para os navios de guerra da Marinha Real, que protegiam as valiosas ilhas produtoras de açúcar da Grã-Bretanha.
As águas turvas ao seu redor, no entanto, escondem uma riqueza de segredos. Ao longo dos anos, o mergulhador comercial Belgrave, acabou encontrando de tudo, desde cachimbos do século 18 a balas de canhão no fundo do sedimento.
Em 2013, durante a limpeza de uma âncora, acabou encontrando os bem preservados de um navio de guerra de 250 anos. A presença do navio de madeira de 40m foi finalmente confirmada no mês passado por uma equipe de arqueólogos que foram até o local.
Os historiadores acreditam que seja o navio Beaumont de 1762, um navio mercante da França que acabou sendo comprado e rebatizado de Lyon, sendo posteriormente usado na Guerra Revolucionária Americana.
A lama que o manteve escondido a poucos metros abaixo da superfície, conseguiu mantê-lo intacto, oferecendo aos arqueólogos uma verdadeira cápsula do tempo para explorar. Os historiadores já suspeitavam que o Beaumont estivesse por lá, e um levantamento hidrográfico em 2013, dava esses indícios, mas a pouca visibilidade tornou difícil de localizá-lo.
O momento do achado também coincidiu com as celebrações de aniversário de atribuição do estaleiro ao título de Patrimônio Mundial da Unesco. O Dr. Reginald Murphy, representante da Unesco em Antigua, chegou a mencionar que esta é uma “importante descoberta histórica”.
A escavação de seis dias revelou as medidas da embarcação, na tentativa de confirmar com as dimensões do Beaumont, que possuía 900 toneladas.

O histórico
Mais pesquisas são necessárias, mas se for de fato o navio Beaumont, pode ser o único naufrágio desse tipo no mundo, explica o arqueólogo Dr. Christopher Waters, que vive em Antígua.
O Beaumont foi construído pela Companhia Francesa das Índias Orientais, uma empresa comercial imperial fundada em 1664, com intuito de competir com firmas comerciais inglesas e holandesas no que hoje é o leste asiático.
Embora existam outros naufrágios de navios construídos pela empresa, não há outro conhecido com o casco intacto, diz o Dr. Waters. A sua descoberta é comparável à de Mary Rose “pelo tamanho e pelas histórias que podemos contar”, acrescenta.
Liderando a equipe subaquática, estava Jean-Sebastian Guibert, professor associado da Universidade das Antilhas na Martinica, que descreve a descoberta. Guibert disse que é o maior naufrágio que ele viu em 15 anos de trabalho na região.
Uma coisa que os pesquisadores não esperam encontrar à medida que as investigações continuam é um “tesouro”, diz Waters, já que o navio provavelmente foi destruído, mas ele pode oferecer uma nova visão sobre a construção de navios de madeira do século XVIII.
Como um navio mercante fortemente armado, o Beaumont foi projetado para viajar da França aos oceanos Índico e Pacífico. Após o colapso da Companhia Francesa das Índias Orientais, serviu como navio de guerra com 56 armas na Marinha Francesa entre os anos de 1770 a 1772. Posteriormente, foi capturado pelo HMS Maidstone em 1778 enquanto apoiava as Treze Colônias na Guerra da Independência Americana.
“Sabemos que ele fora trazido para cá, mas não sabemos o que aconteceu com ele”, diz o Dr. Waters.
Para Belgrave, o significado é ainda mais profundo. À medida que os historiadores continuam a juntar as histórias dos africanos escravizados e que construíram o estaleiro há 300 anos e dos quais descendem muitos antiguanos, essa descoberta em particular tem uma ressonância especial.
“Há uma música doce para este”, diz ele. “Estou muito satisfeito por algo tão significativo ter sido redescoberto por mim como africano.”
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