Naufrágio nos Ingleses era do Sec. 17 e pirata, dizem pesquisadores de SC

O navio naufragado no século 17 na praia de Ingleses, ao norte de Santa Catarina, era pirata, segundo pesquisadores da ONG Projeto de Arqueologia Subaquática (PAS).

A descoberta aconteceu em 2011 e sendo revelada agora pela organização. Segundo historiadores, a embarcação era espanhola e denominada Nuestra Señora de Aránzazu, e teria sido roubada no Peru e trazia uma tripulação de oito piratas ingleses. A embarcação integrava uma frota pirata com 900 homens e que teriam saqueado colônias espanholas no Pacífico entre 1684 e 1687.

Após se perder da frota e ser perseguido pelos espanhóis, o capitão teria tentado voltar à Inglaterra pelo Atlântico, mas quando chegou a uma praia ao norte da então Vila de Nossa Senhora do Desterro, em Santa Catarina, foi capturado pelo fundador da vila, o ex-bandeirante Francisco Dias Velho, que o prendeu e o mandou para Santos, no litoral paulista. Um ano depois da prisão, o capitão Frins voltou ao Desterro e matou Dias Velho, no local onde hoje fica a Catedral Metropolitana, no centro de Florianópolis.

O barco ficou abandonado em frente à praia e se deteriorando até que afundou. O naufrágio está registrado nos livros de história como ocorrido na praia de Canasvieiras, mas supõe-se que toda a região, incluindo a de Ingleses, era chamada assim.

O episódio não só marca a história da capital como evidencia a importância histórica dessa descoberta, que ocorreu quase por acaso, quando o pescador submarino Alexandre Viana encontrou uma botija antiga na parte rasa do mar, em Ingleses, em 1989, 320 anos após o ocorrido.

Um museu foi aberto com peças e partes do naufrágio para o público e funciona todas as tardes de terça a domingo (com exceção do último domingo do mês), sendo mantido pelo Costão do Santinho Resort, que cede o espaço de 40m² e materiais para conservação do que já foi resgatado.

Até o momento foram escavados apenas 30% do sítio arqueológico marinho, resgatando cerca de 35 mil artefatos, que incluem o leme da embarcação – peça de carvalho vermelho de quase uma tonelada e que fica imersa na água em frente ao museu, quase 300 gargalos de botijas usadas para transportar mantimentos, balas de revólver e de canhão, lastros móveis e fixos, solas de sapatos, vestimentas, relógios de sol, fragmentos de ossos, pentes de madeira e o sino de bronze do barco, entre tantos outros itens.

Além de receber o público e contar os detalhes dessa história, Daniel também é responsável pelo tratamento das peças. Apenas o leme demanda troca de água a cada 15 dias, e Daniel ainda faz a catalogação e armazenagem dos fragmentos encontrados, a dessalinização e secagem das peças.

Cada um dos milhares de objetos revelam partes do quebra-cabeças e ajudam os pesquisadores a decifrar o que ocorreu há mais de 300 anos. Segundo Narbal Corrêa, essa é uma das maiores escavações subaquáticas do mundo. “Quando começamos, achei que ia abrir um baú e ficar rico. Mas quando começamos a encontrar as peças, as solas de sapatos, tantos artefatos que revelam parte da nossa história, percebi que aquele era o verdadeiro tesouro”, afirma o presidente do PAS.

Por:

Redação

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