Após alguns anos de uso, infelizmente meu rádio Nautilus Lifeline passou a apresentar um defeito muito ingrato… não ligava… somente quando plugava no computador.
Busca daqui e busca dali, e descubro que a minha unidade faz parte de um recall de 7.000 unidades com um problema no hardware. Tento realizar a atualização de firmware, contudo, descubro que a minha unidade já estava atualizada e o problema não se resolve.
Entro em contato com o suporte do fabricante, e eles mencionam que precisariam verificar o hardware e solicitam o envio do aparelho para eles.
Infelizmente o Nautilus Lifeline é uma caixa estanque fechada à vácuo, e até onde conste, não existe forma de abrir e ter acesso ao seu compartimento interno sem destruir sua caixa, e com isso, ficamos presos ao fabricante
Começam os problemas
Enviar algo para os Estados Unidos é sempre mais fácil, pois sempre há alguém indo para lá e que possa levar um produto com defeito, por exemplo. Mas enviar para o Canadá ?
O Canadá é bem mais rígido com o trâmite de itens oriundos de outros países e parei pra pensar como mandaria o Nautilus para lá.
Particularmente não gosto de enviar pelos Correios brasileiros, pois além de caro, as chances do produto não chegar por lá, de fato existem, isso sem contar toda a parte burocrática imposta pelo governo brasileiro na apresentação de notas fiscais e o preenchimento de formulários para exportação, e que ainda assim, não garantem que você possa ter dor de cabeça quando o produto retornar ao Brasil e haver algum tipo de tributação.
Pesquisando os preços, vi que o custo de envio do produto a partir dos Estados Unidos para o Canadá ficaria em US$ 50. Caríssimo !
Enviando do Brasil, R$ 120. Mais barato, mais demorado e com chances de não chegar ao Canadá.
Por sorte, descubro que um amigo meu, o Peter Russeff, estava indo pra lá e se dispôs a levá-lo e mandá-lo para o fabricante.
Algum tempo depois ele foi e realizou o envio, e lá se foram 20 dólares canadenses. Algo em torno dos R$ 50. O produto foi entregue no fabricante e uma semana se passa, e nada. Envio uma mensagem perguntando se receberam meu rádio, e recebo uma resposta de que meu Nautilus estará pronto na próxima semana.
Como tinha um parente que estava nos Estados Unidos e que poderia trazer o Nautilus pra mim, decido perguntar se realmente eles confirmam a devolução nesse prazo. Somente após 4 dias recebo um retorno deles pedindo paciência e já com uma ordem para pagar no valor de US$ 70.
Como assim ? O que foi feito no rádio ? Qual era o problema ? Autorizei o conserto ?
Decido enviar um e-mail com alguns questionamentos e informando novamente que não era para enviar ao Brasil, mas sim, para os Estados Unidos.
Alguns minutos depois, simplesmente recebo um e-mail automático informando que a pessoa com quem estava trocando as mensagens, e que teoricamente é do suporte, estaria fora do escritório e só retornaria 6 dias depois.
Tento falar com outros e-mails do site, e nada.
Nesse total descaso no atendimento, acabei perdendo o prazo para que a pessoa conseguisse trazer meu rádio de volta, e tive que conseguir outras alternativas. Por sorte, descubro que um outro amigo meu das antigas (Dudu Figueiredo) está morando no Canadá e que viria ao Brasil para um casamento, e poderia trazer meu rádio de volta, como ocorreu, mas qual a probabilidade de conhecermos duas pessoas indo ou voltando do Canadá ?
O fato, é que o Nautilus Lifeline em tese é um bom aparelho, mas será vale a pena pagar praticamente US$ 70 para a troca de sua bateria ?
Aliás quase US$ 150, se contabilizarmos com o frete ?
Segundo o fabricante, o problema no meu rádio era apenas bateria.
Eles trocaram a bateria e a caixa dele, que por sinal, não mandaram igual a que eu tinha… mandaram na cor laranja, outro erro por parte deles.
A antena veio mal encaixada, dando a impressão de que o produto não foi bem fechado.
Pra piorar, realizando alguns testes, o rádio passou a apresentar uma falha. Usando um HT VHF para falar com o Nautilus, em alguns momentos o Nautilus emite um ruído alto e que não existia, não permitindo que se escute a pessoa do outro lado do rádio.
Outra falha deles.
É perceptível que além de um atendimento desastroso, a falta de qualidade do pós venda é ruim e baixa qualidade, tornando o produto não confiável ao mergulhador.
O simples fato do mau atendimento e total descaso com o meu produto demonstram ser uma empresa pequena e sem preocupação com produto que vendem.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



