Recebemos algumas informações sobre o surgimento de um cilindro de mergulho com a aparência dos tradicionais cilindros S80 fabricados pela Luxfer, porém, tais cilindros são fabricados por outra empresa na Índia.
Eventualmente, esses cilindros indianos estão sendo levados nas operadoras para recarga, e a maioria dos operadores não está realizando o procedimento por desconhecerem a origem, real qualidade do produto e a norma utilizada na fabricação, informações de extrema importância e que devem ser avaliadas antes de qualquer recarga.
Diante do fato, buscamos entender o que estava acontecendo e conhecer mais sobre o cilindro em questão.
Realmente trata-se de um cilindro de alumínio fabricado na Índia, com aparência dos tradicionais cilindros S80 da Luxfer, sendo preciso olhar com atenção alguns aspectos para identificá-lo e diferenciá-lo dos demais cilindros.
Um ponto que nos chamou a atenção é quanto a divulgação do produto e que está sendo feita de forma errada, podendo o comprador, acreditar que está adquirindo um produto de um determinado fabricante, quando na realidade não é, e explico.
Vimos alguns profissionais do mercado afirmando que este cilindro seria fabricado pela Alcan Alumínio, uma empresa multinacional reconhecida internacionalmente e que produz diversos produtos de qualidade indiscutível em alumínio, mas no caso desses cilindros de mergulho, eles são fabricados pela empresa “Al-Can” da Índia, possuindo uma nomenclatura parecida com a famosa multinacional, o que facilita uma interpretação errada quanto à origem e credibilidade do produto.

Segundo o site da “Al-Can”, a empresa produz cilindros com capacidade de 200 e 232 BAR, utilizando a liga de alumínio 6061A e 7060, possuindo o selo CE (Comunidade Européia) com aprovação da Apragaz (empresa de certificação na Bélgica) e ISO 7866, mas infelizmente não encontramos os certificados e não consta no cilindro a norma de fabricação.
Quando enviamos um e-mail para eles questionando quem era o distribuidor no Brasil, responderam nossa mensagem (Gerente de Marketing Jigna Madia) em menos de 5 minutos, contudo, posteriormente quando solicitamos em dois outros e-mails as informações sobre certificação dos cilindros e norma utilizada, não tivemos resposta.
Um aspecto que nos chamou a atenção, é que as válvulas comercializadas juntamente com o cilindro são de origem americana e adquiridas separadamente pelo importador brasileiro.
Quanto ao tipo de rosca adotada, identificamos na parte superior do cilindro a nomenclatura 0.750 e 14 fios por polegada, que seria equivalente a 3/4 de polegada NPSM.
Há duas taras e pressões gravadas no cilindro, estando marcado com as incrições PS 207 e PS 248. Qual seria a pressão de enchimento ? 207 ou 248 BAR ?
No único e-mail respondido pelo fabricante, informa que o único importador no Brasil seria a empresa Fluxos Distribuidora de Equipamentos e Acessórios, de Paulínia-SP, e tentamos entrar em contato com esta empresa solicitando mais informações, e infelizmente, também não deram retorno até a publicação dessa matéria.
E ficam as dúvidas…
- Qual a norma utilizada na fabricação destes cilindros ?
- Qual a rosca utilizada para o encaixe da válvula ?
- Qual a real qualidade deste produto ?
- É realmente um produto seguro para recarga e mergulho ?
Hoje é possível encontrar diversos anúncios deste cilindro em sites bem conhecidos, como Americanas.com, por exemplo, e o preocupante é a falta de informações importantes para um produto que oferece grande risco de uso.
Diante dessas dúvidas, alguns muitos operadores não estão realizando a recarga nestes cilindros, por desconhecerem o produto, e principalmente, pela falta de informações importantes, e com isso, os proprietários destes cilindros estão tendo dificuldades para recarregá-los.


Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



