Algum tempo atrás cheguei a escrever um artigo comentando sobre o risco de baterias de mergulho explodindo e pegando fogo.
Só esse ano, isso aconteceu com três amigos, comprovando que o problema existe e que precisamos dar mais atenção ao risco.
Entendendo o problema
A tecnologia está sempre avançando e as novas lanternas e equipamentos de iluminação de foto e vídeo, estão utilizando as chamadas baterias de “Lítio e Lítio Polímero”, que são menores e armazenam mais carga do que as baterias comercializadas no passado.
O problema, é que essas baterias são extremamente sensíveis ao calor e passíveis de explosão.
Para recarregá-las, são utilizados os carregadores “inteligentes”, pois eles monitoram todo o processo de carregamento com a finalidade de gerenciar a carga repassada para a bateria, sem deixar que ela esquente, caso contrário, existe a chance dela pegar fogo, explodir e causar um grande incêndio.
As próprias baterias também possuem um circuito eletrônico que tem como função, monitorar a recarga e cortá-la quando necessário.
Acidentes
Se buscarmos na web, encontraremos relatos de incêndios e explosões de baterias de lítio e lítio polímero, tanto que as companhias aéreas já possuem algumas quanto ao transporte delas nos aviões.
Algum tempo atrás, dois mergulhadores haviam colocado a bateria de uma marca americana para carregar em um quarto de hotel e saíram para jantar. Quando retornaram, se depararam com um cenário de terror. A bateria pegou fogo, explodiu e fez com que o fogo se alastrasse pela cortina, incendiando todo o quarto e causando um prejuízo enorme, com a perda de notebook, iPad, equipamentos de mergulho, além do próprio quarto e colocando as demais áreas do hotel sob perigo.
Há poucas semanas, uma famosa operadora de mergulho em caverna no México, acabou sofrendo com uma explosão idêntica, que coincidentemente ou não, utilizava a bateria do mesmo fabricante do caso anterior.
Ontem, um renomado fotógrafo e cinegrafista de São Paulo, acabou sofrendo com um princípio de incêndio em sua casa, pois havia deixado a bateria de seu spot de luz recarregando em seu escritório, quando repentinamente ocorreu a explosão da bateria.
O incêndio não foi grande, mas causou um prejuízo com a perda de bens e equipamentos, e por sorte, nada de mais grave aconteceu, porque as pessoas perceberam o incêndio e conseguiram acabar com as chamas.
Dicas Importantes
- Nunca abandone sua bateria enquanto estiver recarregando;
- Recarregue as baterias sempre em locais seguros, longe de objetos inflamáveis e sob atenção constante;
- Jamais deixe baterias de lítio e lítio polímero em locais com cilindros de oxigênio para mergulho técnico / hospitalar;
- Após o mergulho, não recarregue por completo a bateria. Deixe-a com 30% de carga no máximo;
- Não a deixe zerar a carga da bateria, pois elas podem sofrer com o efeito “dormência”, uma característica que faz com que a bateria não recarregue mais. Até existem alguns métodos para que ela volte a recarregar, mas nem sempre funcionam.
Fotos dos incêndios – Fotos: Carlos Momoli e Léo Francini

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



