O Boot nada mais é do que um acessório fabricado em borracha ou plástico, para ser usado na parte inferior do cilindro de mergulho, cujo objetivo, é manter o cilindro na posição vertical, ou seja, em pé.
Não se deve guardar o cilindro de mergulho na posição horizontal, pois como as paredes laterais dos cilindros são menos espessas, poderá haver um acúmulo de líquido nessa lateral interna, o que possibilitará a iniciação de uma corrosão silenciosa.

Nos dias atuais é até mais difícil encontrarmos cilindros usando esses Boots, pois normalmente nos deparamos nas operações de mergulho com cilindros S80 de alumínio, que possuem sua parte inferior achatada, permitindo que o cilindro fique “de pé” e sem dificuldades.
No passado, só encontrávamos cilindros fabricados em aço, e como a sua parte inferior é curvada, o uso do Boot permitia mantê-lo em pé e com facilidade.
Apesar do cilindro de alumínio ficar em pé mesmo sem o Boot, normalmente ele é utilizado para proteger o cilindro contra possíveis batidas no chão. A grande questão é que qualquer tipo de objeto que esteja grudado, amarrado e fixo a outro objeto que seja de metal e usado para mergulho, poderá facilitar o acúmulo de cristais de sal e consequentemente, a iniciação de uma corrosão no local.
O uso de um Boot em cilindros de mergulho não foge a regra e também poderá reter esses cristais de sal facilitando a iniciação da corrosão no local e de maneira silenciosa, podendo condenar o cilindro de mergulho em poucos meses, dependendo do uso e local onde se mergulha.
Usar o Boot em si não é nenhum problema, bastando apenas remover o Boot a cada quantidade de mergulhos e tempo de armazenamento, para limpar o local com água doce removendo algum acúmulo de sal (caso haja) e estar com as manutenções preventivas em dia.
Realizando sempre a limpeza no local e estando com a manutenção em dia, você elimina possíveis transtornos e poderá continuar a usar o Boot no cilindro tranquilamente e estender o tempo de vida útil do cilindro em si.


Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



