O-Ring na Caixa Estanque – Atenção para não perder o equipamento

Os o-rings são peças fundamentais nos equipamentos de mergulho, pois são os responsáveis pela vedação de algum compartimento onde a água doce ou salgada, não deve entrar.

\Apesar da aparência simples do o-ring, ele é um item com atributos que o mergulhador nem imagina.

Fabricados em borracha ou silicone, quando um o-ring é adicionado em um projeto de um equipamento de mergulho, vários aspectos precisam ser analisados até obter as características que atendam as especificações de segurança, e para isso, fatores como a espessura, diâmetro, elasticidade, matéria prima, compressão, formato e dureza, são aspectos determinantes para que ocorra a perfeita vedação.

Então, cada projeto onde tenha que utilizar um o-ring, sempre existirão aspectos que determinarão as especificações do modelo correto a ser utilizado.

Quando fechamos uma caixa estanque, os o-rings são os responsáveis pela “estanqueidade” da caixa, e justamente nesse momento, é de suma importância que o mergulhador preste muita atenção para que não surja algum problema inesperado, tomando os devidos cuidados ao fechar esses compartimentos estanques.

Excesso de silicone na sede do o-ring – Foto: Clécio Mayrink

Exagero no uso da pasta de silicone

Vejo com frequência muitas pessoas, e até mesmo instrutores de mergulho, insinuando que o mergulhador deve “lambuzar” com pasta de silicone os o-rings da caixas estanque, o que é um grande erro.

Conforme vamos descendo e a pressão aumenta, o o-ring é sugado para o interior da caixa, tampando todo o espaço que esteja passando ar entre a tampa e a caixa propriamente dita, e por isso, ele cria a vedação desejada, pelo processo de moldagem do espaço entre a tampa e a caixa, bloqueando a passagem de ar e água entre os lados.

Se você deixar restos de pasta de silicone no o-ring, estará criando dificuldades para que ele consiga se moldar no espaço entre a tampa e a caixa, e por causa disso, o o-ring não conseguirá vedar, tendo como resultado o alagamento do compartimento.

O excesso de pasta de silicone também faz grudar pequenos grânulos de areia, que também não irão permitir a moldagem perfeita do o-ring sob pressão, acarretando em alagamento.

Fechamento com o-ring mal acomodado na sede – Foto: Clécio Mayrink

Fechamento sem acomodação correta

Outro erro comum, principalmente com aqueles que utilizam caixas estanques acrílicas, é não verificar se o o-ring está bem acomodado na sede.

Algumas vezes você pode fechar a caixa estanque, contudo, a acomodação do o-ring fica incorreta, e o resultado é o alagamento.

Isso é muito comum acontecer em situações com o-rings de formatos especiais. Eu mesmo tenho uma caixa estanque para iPhone que utiliza um o-ring de qualidade espetacular, mas um erro no projeto fez com que utilizassem um modelo de o-ring com laterais chanfradas, o que é péssimo em termos de água sob pressão, e o resultado, foram os inúmeros casos de mergulhadores tendo caixas alagadas, fazendo com o que a empresa desistisse do projeto e das vendas, por um problema tão fácil de ser resolvido.

Grãos de areia na sede do o-ring pelo excesso de silicone – Foto: Clécio Mayrink

Atenção no fechamento

Ao fechar um compartimento que utiliza um o-ring para a vedação, tenha atenção com os seguintes aspectos:

– Verifique se a sede está bem limpa e não possua algum tipo de sujeira, poeira ou areia;

– Lubrifique o o-ring deixando-o apenas brilhoso. Jamais deixe pedaços de graxa de silicone nele;

– Coloque o o-ring na sede e verifique se alguma parte dele não teve algum tipo de torção;

– Se a caixa estanque for transparente (acrílica), verifique se o o-ring está bem “esmagado” em toda sua extensão. Isso é a confirmação de que ele está realizando seu papel de vedar.

Por:

Clecio Mayrink
Editor - Brasil Mergulho

Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986, participando da primeira turma de Dive Master da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 30 anos de experiência em mergulho e fotografia / vídeo subaquático.

Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS, em 2008, é o idealizador do site Brasil Mergulho em 1998 (MTB 0081769/SP) e atuou em diversas matérias e documentários no Brasil e no exterior, sendo uma referência quando o assunto é mergulho e naufrágios para a mídia e órgãos públicos no país, e diversas entidades internacionais como a ONU e UNESCO.