Hoje celulares podem tirar fotos com a mesma qualidade de câmeras compactas, demonstrando o desenvolvimento da tecnologia. Agora, uma reflexão tem que ser feita: o tamanho do sensor fotográfico é tão importante assim para a fotografia digital atual ?
Quem começou a analisar o assunto, foi o Richard Butler do Dpreview, que levantou algumas questões interessantes sobre o tamanho do sensor fotográfico para a qualidade da fotografia. De regra, sempre falamos que quanto maior o sensor fotográfico de uma câmera, melhor será a qualidade de imagem.
Basicamente essa afirmação é feita por 3 motivos:
O motivo principal é o tamanho do pixel do sensor, pois quanto maior a superfície do sensor fotográfico, maior será o pixel. Por isso que dizemos que aumentar a resolução de uma câmera sem mudar o tamanho físico do sensor é negativo para a qualidade de imagem.
Com mais pixels, eles precisam diminuir de tamanho para caberem na mesma superfície. Um pixel grande capta luz com mais qualidade e maior eficiência.
O segundo motivo é que, com o pixel maior, temos um menor aparecimento de ruido em ISO elevado e a faixa dinâmica da captação da imagem também aumenta. E o que é faixa dinâmica ?
Imagine uma foto de paisagem onde uma zona da imagem tem muito sol e na outra muita sombra. A capacidade de captar detalhes nessa variação brusca de luz na mesma foto é o que chamamos de faixa dinâmica do sensor.
E o terceiro motivo de falarmos da qualidade dos sensores grandes é que as lentes, por conta do grande tamanho do sensor, possuem um diâmetro muito maior, o que permite diafragmas maiores e o controle da profundidade de campo. Lembrando que o que causa a perda de profundidade de campo (aquele desfoque bacana na foto) é o diâmetro do diafragma e não, necessariamente, o f/stop.
Porém, Butler nos chama a atenção para a chamada Fotografia Computacional e como ela está transformando o modo como entendemos a qualidade da fotografia digital. Hoje os Smartphones são capazes, através de câmeras duplas e processamento interno, de simular a perda da profundidade de campo entregando um Bokeh artificial. Ainda não é perfeito, mas imagino o que será capaz com mais alguns anos de desenvolvimento técnico.
Por outro lado, a maior parte dos smpartphones agora é capaz de fazer uma grande sequência de fotos e combiná-las em uma única imagem de maneira rápida e automática. Isso reduz o aparecimento de ruido nas imagens e aumenta consideravelmente o alcance dinâmico dos minúsculos sensores.
Outra coisa que deve ser levado em conta é o avanço tecnológico dos novos sensores em produção. Sensores menores com tecnologia BSI (retroiluminados) continuam pequenos, mas tornaram mais eficiente a captura da luz, o que seria a sua grande desvantagem.
Além disso, sensores menores possuem uma velocidade de leitura e transmissão de dados muito mais rápidos do que sensores maiores, o que é extremamente benéfico para a captura de vídeo e a velocidade de funcionamento do equipamento. É possível trazer essa velocidade de leitura para os sensores maiores, mas o custo da tecnologia é elevado. Sem falar que sensores menores também geram câmeras e lentes menores e mais leves.
Ainda hoje, se você quer obter o melhor resultado possível, um sensor maior é a melhor pedida para sua fotografia. Mas, a junção de melhores tecnologias, com um processamento mais eficiente e lentes mais nítidas e luminosas, estão transformando a fotografia com sensores pequenos em algo bom o suficiente para a maior parte das pessoas.
No futuro, se a tecnologia continuar evoluindo assim, poderemos ter uma grande disponibilidade de equipamentos com alto desempenho e tamanho reduzido, até mesmo smartphones.


Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



