A roupa de mergulho é um dos equipamentos mais importantes que o mergulhador pode ter. Se você passa frio, acaba não curtindo o mergulho e torna a atividade menos prazerosa.
Uma roupa de mergulho de qualidade vale cada centavo, pois ela manterá você aquecida(o) embaixo d’água, permitindo a realização dos mergulhos “impossíveis” sem proteção térmica.
Aliás, este é outro equipamento que eu recomendo a compra, pois a aquisição evita os possíveis transtornos que as roupas de mergulho alugadas muitas vezes trazem, como um ajuste ruim, odor de urina (Leia mais sobre Diurese de Imersão), braços e pernas muito longos, dentre outros pontos.
Mas antes comprar uma roupa por impulso ou por indicação de um amigo ou instrutor, certifique-se de escolher a roupa certa para o tipo de mergulho que se pretende realizar.
O primeiro aspecto é o ajuste. As roupas de mergulho devem se ajustar bem ao seu corpo, e a principal forma de uma roupa de mergulho fabricada em neoprene estar bem ajustada e mantendo o aquecimento, é retendo uma fina camada de água entre seu corpo e ela mesma. Seu corpo vai aquecer essa camada de água, que o ajudará a manter o aquecimento.
Se a roupa não estiver bem ajustada, isso permitirá o surgimento de grandes bolsões de ar. Por exemplo, haverá a passagem de água pelas vedações do pescoço, pulsos e tornozelos durante o mergulho, interferindo diretamente na função térmica.
Se estiver comprando pela internet, fique atento a possibilidades de troca ou devolução. Por isso é sempre recomendável provar a roupa antes de efetivar o pagamento.
Aspectos a serem observados para verificar o ajuste de uma roupa
- Verifique a vedação do pescoço, pois a roupa deve estar justa, porém, não muito apertada.
- Proteções dos pulsos e tornozelos devem ficar planas sob a pele e não devem ficar franzidas ou abertas quando você movimenta os membros.
- A roupa deve ser justa para conseguir reter a fina camada de água, porém, não tão apertada. Você precisa esticar os dois braços acima da cabeça e pressionar as mãos, caso contrário, você precisará de uma roupa com tamanho maior.
- A virilha da roupa de mergulho deve ficar próxima à sua, e não presa em algum lugar entre as regiões inferiores e os joelhos.
- Certifique-se de que os braços e pernas da roupa consigam alcançar seus pulsos e tornozelos, caso contrário, experimente um tamanho acima.
- A roupa de mergulho deve se adaptar ao seu corpo em todos os pontos. Se ela se afastar do seu corpo ao longo da sua coluna, provavelmente está muito pequena pra você. Isso é mais comum entre mulheres, sendo frequentemente a razão pela qual as roupas de mergulho com zíper traseiro, acabam rasgando na parte inferior do zíper.
Nível correto de proteção térmica
Não adianta comprar uma roupa de mergulho com 7mm de espessura e camada dupla, se você pretende mergulhar em águas caribenhas somente. Da mesma forma que uma roupa de 3mm de espessura, não lhe atenderá em águas geladas.
Compre um modelo de roupa condizente com o tipo de mergulho desejado e tipo de condições do local onde se pretende mergulhar mais. No Brasil, quando falamos em águas do nordeste, muitos mergulhadores utilizam uma roupa com apenas 5mm de espessura, contudo, se você pretende mergulhar em todo o Brasil, recomendaria uma roupa de 7mm ou melhor ainda, uma roupa semi-seca, principalmente se você for uma pessoa friorenta.

Lastro X Flutuabilidade
As roupas são fabricadas com uma manta denominada neoprene, que contêm pequenas bolhas de ar no material. Isso ajuda a mantê-lo aquecido, mas também, gera mais flutuabilidade. Com isso, roupas mais grossas nos obrigam a utilizar mais lastro para compensar a flutuabilidade gerada pela roupa.
Outro aspecto importante, é que à medida em que descemos, a roupa de mergulho ficará mais fina e vai oferecer menos proteção térmica.
Zíper e Selos
As roupas de mergulho possuem zíper para permitir o fechamento e abertura, para que o mergulhador consiga colocar a roupa com mais facilidade. Alguns modelos normalmente possuem alguns diferenciais, como os “selos” nas extremidades, junto ao pescoço, além dos pulsos e tornozelos, permitindo uma vedação mais eficiente, inclusive e, geralmente as roupas mais caras possuem qualidade superior.
Alguns mergulhadores também usam roupas sem zíper, sob o argumento de que o zíper da roupa de mergulho tradicional, acaba permitindo a passagem de água através dele, de fato, em geral isso é verdade, mas a dificuldade para colocar uma roupa sem zíper é grande, e pra quem tem problemas na coluna (como eu), isso pode virar uma situação estressante, ainda mais com o movimento da embarcação em dia de mar mais agitado, somado ao excesso de calor do sol. Esse tipo de situação favorece o sintoma de enjoo em algumas pessoas, inclusive.
Marcas conhecidas são melhores
A maioria dos fabricantes de equipamentos de mergulho fabricam roupas de mergulho. A marca pode não ser um critério obrigatório, mas geralmente esses fabricantes empregam melhores técnicas na fabricação, além de mantas de neoprene de melhor qualidade.
Alguns fabricantes utilizam mantas de neoprene super macio, trazendo um conforto bem maior ao mergulho na hora de colocar sua roupa de mergulho.
Procure evitar conjuntos de roupas, que muitas vezes, se caracteriza por um conjunto com long john (calça e colete sem manga integrado) e jaqueta de manga longa com colete interno. Roupas de uma peça são as ideais e fará com que você tenha menos chances de acabar esquecendo alguma parte dela em casa.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



