Octopus não é segundo estágio !

Mergulhadores com a mangueira do Octopus esticada - Foto: Clécio Mayrink

Ter um octopus em seu regulador é seguir as regras básicas do mergulho autônomo e ampliar sua margem de segurança. Todo Octopus deve ser usado em situações emergenciais e não previstas durante o mergulho.

Havendo a necessidade de utilizá-lo, o mergulhador deve fornecer o gás ao dupla e seguir para a superfície em seguida, finalizando o mergulho.

O Octopus é um equipamento que compramos esperando nunca precisar utilizá-lo, e de fato, raramente alguém utiliza ele. O problema é que eventualmente vemos mergulhadores fornecendo gás para outro que ficou sem gás por um consumo mais elevado, e continuando o mergulho como se nada tivesse acontecido.

O uso do Octopus como se fosse “apenas um segundo estágio” deve ser descartado, e havendo a necessidade de utilizá-lo por causa de alguma situação inesperada, o mergulhador deve abortar o mergulho e levar o mergulhador sem gás imediatamente para a superfície. Ignorar esse procedimento, é ignorar as regras básicas, e muitos acidentes são iniciados dessa forma.

Normalmente um acidente de mergulho é como uma bola de neve, tudo começa com pequenos erros e a coisa toda vai piorando até se transformar em consequências graves.

Outro aspecto importante, é que além do fornecimento de gás ao dupla, os mergulhadores precisam estar bem próximos de quem receber o gás para evitar que a mangueira do Octopus fique esticada demasiadamente. Isso evita a possibilidade de rompimento da mangueira e ter como consequência, o vazamento imediato do gás presente de quem está doando o gás.

Sempre que doar seu gás, tenha um contato mais próximo e jamais doe gás para um apneísta desconhecido, e evite a possibilidade dele acabar tendo uma embolia traumática pelo ar (ETA), por desconhecer a regra de subir soltando o ar dos pulmões. Aliás, aspecto muito comum no passado.

Por:

Clecio Mayrink
Editor - Brasil Mergulho

Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983, no autônomo em 1986 e Dive Master em 1990. Hoje é mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver e Advanced Cave Side Mount / No Mount.

Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS, em 2008, é o idealizador do site Brasil Mergulho em 1998 (MTB 0081769/SP) e atuou em diversas matérias e documentários no Brasil e no exterior. Também prestou consultoria para a ONU, UNESCO e diversos órgãos públicos no Brasil.