Operadora de Mergulho: A importância dela ser oficializada

Recentemente me perguntaram se havia algum problema em sair com uma determinada “operadora”, fiquei surpreso, pois nunca havia escutado falar sobre ela.

Ligo pra um e outro, e descubro que não é uma operadora de mergulho, mas sim, um proprietário de uma embarcação que está cobrando para transportar mergulhadores até um destino de mergulho, o que vai contra as normas da Marinha do Brasil.

E quando digo isso, me refiro às normas de segurança obrigatória para as embarcações cujo objetivo seja o turismo náutico.

Me preocupo bastante com esse tipo de coisa, pois aqui no Brasil Mergulho recebemos muitas informações sobre o mercado de mergulho, e infelizmente também chegam informações negativas.

Numa ocasião recebemos a informação de que um proprietário chegou a ter sua embarcação virada em três situações diferentes, por se tratar de um barco inflável sendo utilizado em saída de praia, e na última ocasião, os equipamentos foram parar no mar junto com seus proprietários, porque simplesmente a embarcação teria virado em meio às fortes ondulações na praia.

Como sempre digo, a economia é à base da porcaria e tem tudo para trazer perigo e dor de cabeça desnecessária.

Economizar no custo de uma saída de mergulho pode trazer riscos altíssimos e desnecessários. Vejo algumas pessoas reclamando do custo de uma saída de mergulho e outra, mas normalmente elas não tentam compreender os requerimentos para que um operador consiga realizar a saída dentro dos padrões de segurança requeridos, além do custo operacional da coisa toda.

É muito bacana chegar ao barco, ir mergulhar e voltar pra casa, mas para que isso ocorra, há todo um trabalho que continua inclusive, durante a semana.

Estive diversas vezes nas marinas e vi de perto, o quanto é trabalhoso manter uma embarcação para alto-mar em pleno funcionamento, pois além dos custos das peças e mão de obra, nada no Brasil é fácil, então, é preciso trocar algumas peças de acordo com o tempo de vida útil, e nem sempre encontrá-las e tão fácil e rápido.

A mão de obra é cara e trabalhosa, e o mecânico trabalha em uma área aberta, porém, muitas vezes com o sol a pino e ambientes apertados, levando mais tempo para a realização das execuções necessárias.

Em uma ocasião quebrou uma pequena peça de um dos motores da embarcação em que me encontrava, e lá se foram R$ 9.000, mais a mão de obra. Em outra, outros R$ 14.000. Não, a embarcação não era minha, até porque se fosse, estaria chorando agora e não escrevendo esse artigo.

Devemos lembrar que uma operadora séria, realiza a manutenção dos equipamentos semanalmente, tem também, o sistema de recarga, troca de óleo, a preparação dos lanches, abastecimento, documentação, impostos, equipamentos de salvatagem, membros da equipe, marina, e a coisa não para. Uma infinidade de coisas, onde certamente uma pessoa que não possui algum tipo de credenciamento para atuar em uma área ou uma empresa fixa, seja ela uma loja ou em uma marina, não terá preocupações, até porquê de algo acontecer, a primeira coisa que ela irá fazer é sumir do pedaço.

Então, procure entender como funciona uma operadora de mergulho séria e considere as diferenças no atendimento, e principalmente o quesito segurança.

Desconto e preços baixos todo mundo gosta, mas quando o custo pode ser a vida, isso não tem preço. Não temos bolas de cristal para prever se algo dará errado ou não, mas coisa errada e fora do padrão, sempre dará seus indícios e certamente você conseguirá determinar o que é mais seguro e o que tem um custo fora do padrão do mercado

Procure uma operadora que realmente exista, seja em uma marina ou loja física, escute também o que o mercado divulga sobre a referência de uma operadora.

Usar embarcações particulares, só se for dos amigos e que não seja uma operação comercial.

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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