Peguei uma corrente insurgente – O que fazer ?

Realizar um mergulho com correnteza (Drift Dive) sem estar no planejamento, nem sempre é legal, pois requer mais atenção e, na maioria das vezes, você precisará alterar o planejamento inicial

E se for uma corrente insurgente ?

 

Correntes Insurgentes

Correntes insurgentes são grandes volumes de água que correm em direção ao fundo, são incomuns e normalmente, ocorrem em locais específicos e com grandes profundidades.

Ao ser pego por uma corrente insurgente, dependendo da visibilidade, você pode nem perceber logo de cara que está sendo levado para o fundo, e uma forma rápida de confirmar isso, é verificar instantaneamente a profundidade no computador de mergulho ou no profundímetro, o incremento em andamento da profundidade informada.

Em duas ocasiões, passei por correntes insurgentes na ilha de Wolf, em Galápagos, contudo, o divemaster já tinha avisado ao grupo que isso poderia acontecer.

O primeiro local chamava-se “batedeira”, em razão do formato das rochas e, também, porque chacoalhava bastante os mergulhadores embaixo d’água. Na ocasião, lembro que me encontrava na faixa dos 18m de profundidade, mas rapidamente fui parar nos 35m.

Naquele instante, também senti uma pressão contínua no ouvido, em razão do aumento rápido da profundidade.

A foto capa desse artigo mostra o segundo ponto onde o grupo foi pego por uma corrente insurgente. Havia um paredão, e entre rochas, nos escondemos durante um tempo.

Aliás, alguns anos atrás, um mergulhador russo acabou sendo levado por uma corrente insurgente em uma área da ilha de Cozumel, no México. O local já era considerado perigoso, e após esse fato, a administração local decidiu proibir os mergulhos naquele ponto, face aos casos ocorridos por lá.

 

Como sair de uma corrente insurgente ?

Pegando uma corrente dessas, nade imediatamente para os lados, principalmente para uma área mais rasa.

Se estiver próximo a algum paredão, nade em direção dele, pois ele poderá servir de apoio em último caso.

Além de bater as pernas, você deve estar com a mão no botão do power e inflando totalmente o colete. Isso ajudará a diminuir a velocidade de descida, gerando força de empuxo para cima.

O procedimento é simples e deve ser feito de forma ágil, para que você não acabe ganhando profundidade rapidamente.

Fica a dica.

 

Foto: Clécio Mayrink

Clecio Mayrink

Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.

Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.

Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.

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