Peixe-Leão em Abrolhos pode ser falso

Esta semana publicamos a notícia de que um Peixe-Leão teria sido avistado em Abrolhos recentemente por um apneísta. Achando estranha a notícia, nossa equipe entrou em contato com alguns membros do ICMBio para confirmar a veracidade da mesma, e nos foi confirmado, que de fato, um exemplar da espécie havia sido avistado no arquipélago.

Horas depois, um biólogo parceiro e colaborador do Brasil Mergulho, nos alertou que o peixe seria falso, que o mesmo seria na verdade um “brinquedo de plástico” e que o autor do vídeo, na verdade, seria uma pessoa contra a expansão do parque marinho e que estava criando provocações com as instituições de Meio Ambiente. Além disso, medidas cabíveis seriam tomadas por essas instituições contra o autor do vídeo.

Diante de uma confirmação positiva e outra negativa, decidimos retirar a notícia do ar.

No mesmo dia, nossa equipe entrou em contato com o ICMBio e recebemos a resposta de que um membro da instituição entraria em contato para esclarecer os fatos, o que não aconteceu.

Hoje o ICMBio publicou a notícia abaixo, e no final das contas, ninguém sabe dizer ao certo se de fato, o Peixe-Leão foi visto ou não em Abrolhos.

Publicação do ICMBio

No último domingo (5) foi entregue um vídeo à equipe do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos sobre a possível ocorrência do peixe-leão (Pterois volitans ou P. miles) na região do Arquipélago dos Abrolhos (Portinho Sul), dentro do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. O vídeo foi gravado por um visitante, que estava realizando mergulho livre, no final da tarde do último sábado (4). Uma cópia em baixa resolução (filmagem de celular do vídeo sendo reproduzido em uma tela de computador) foi entregue pela empresa responsável pelo controle e monitoramento da visitação do Parna à equipe do ICMBio e pesquisadores autorizados que estavam em atividade no local.

“Considerando a gravidade do fato, iniciamos uma mobilização com os cientistas, condutores de mergulho, pescadores, entre outros, para confirmar a identificação da espécie e verificar possíveis registros de ocorrência do peixe-leão na região”, explica o chefe do Parque, Fernando Repinaldo Filho. Segundo ele, a unidade vem mantendo uma equipe no Arquipélago que está fazendo buscas do suposto peixe-leão na área da filmagem realizada pelo mergulhador. Até o momento, pelo menos 20 especialistas, profissionais da unidade de conservação, condutores de visitantes do Parque e profissionais do turismo na região, têm acompanhado e prestado informações referentes ao caso para a equipe do Parna.

O peixe-leão é uma espécie recifal invasora no Oceano Atlântico, e peçonhenta capaz de causar prejuízos aos ambientes aquáticos brasileiros e acidentes graves a turistas e pescadores que tentarem manuseá-lo sem orientação e capacitação. “Devido à baixa qualidade do vídeo, há suspeita de que seja uma notícia falsa, produzida com gravação de um peixe de brinquedo. A apuração das informações aguarda os relatos fidedignos dos envolvidos no episódio e recebimento de vídeo original”, afirma.

É importante que condutores de visitantes, mergulhadores, pesquisadores, pescadores, entre outros, que frequentem o mar e estuários na região dos Abrolhos e demais locais do Brasil, registrem e informem ao ICMBio e aos pesquisadores associados ao tema caso encontrem essa espécie. Pois assim, serão acionados, com a maior brevidade, planos de emergência para identificação, captura, sequenciamento genético, entre outras ações capazes de avaliar ou reparar potenciais danos.

O monitoramento da invasão do peixe-leão é uma ação alinhada com o objetivo 7 do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Ambientes Coralíneos (PAN/Corais). A espécie se tornou invasora no Caribe, causando sérios danos à saúde dos ambientes recifais e já possui dois registros confirmados no Brasil em Arraial do Cabo/ RJ. Algumas Unidades de Conservação marinhas já iniciaram campanhas de sensibilização e divulgação sobre a temática, como a APA Costa dos Corais, APA de Fernando de Noronha e Resex Marinha de Arraial do Cabo/RJ.

A mobilização de pesquisadores, parceiros, condutores e empresas de turismo, visitantes, pescadores entre outros é fundamental para que se tenha maior vigilância e monitoramento para essa ameaça aos recifes brasileiros.

Comunicação ICMBio
(61) 2028-9280

Fonte: icmbio.gov.br/portal/ultimas-noticias/20-geral/9878-alerta-possivel-ocorrencia-do-peixe-leao-no-brasil

Por:

Redação

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