Recentemente alguns lojistas me alertaram sobre um novo problema ocorrendo no mercado nacional, que é a venda de peças para a manutenção de equipamentos de mergulho diretamente para o usuário final.
Mas precisamente, kits de manutenção para reguladores de mergulho.
Como todos sabem, o regulador de primeiro e segundo estágio, é peça fundamental para a respiração do mergulhador embaixo d’água, sendo um elemento crucial na segurança do mergulhador e, devendo receber total atenção do profissional especializado para que não ocorra um acidente desnecessário.
Com a comercialização desses kits em lojas virtuais, como por exemplo, Mercado Livre e OLX, além de sites de alguns distribuidores.
De certa forma, a comercialização direta pode induzir um mergulhador a realizar a manutenção em seu próprio regulador, mesmo sem condições técnicas e acabar criando com isso, a possibilidade de acidente com morte.
Infelizmente uma boa parte dos brasileiros tem a cultura de tentar diminuir custos em tudo, e muitas vezes, esse tipo de atitude pode causar algum acidente, pois nem todos tem o bom senso em separar o que pode ser feito sem criar riscos pra si.
A manutenção em regulador de mergulho deve ser feita exclusivamente por um profissional técnico especializado, de preferência, com treinamento direto junto aos fabricantes e devidamente certificado.
Tenho observado alguns casos de pessoas oferecendo manutenção em equipamentos sem possuir certificação dos fabricantes. Não quero afirmar que a pessoa talvez não saiba o que esteja fazendo, mas a certificação é uma comprovação de que o profissional detém o conhecimento necessário para realizar a tarefa de manutenção em um determinado tipo de produto de forma segura e eficaz.
Já soube, por exemplo, de um instrutor realizar uma manutenção em um regulador, e acabar quebrando o equipamento por desconhecer os procedimentos específicos do produto em questão, por não saber que havia uma rosca inversa, e no final, sabe o que foi dito ao proprietário ?
Que seria necessário trocar uma peça a mais (de alto custo)…
O cliente fica chateado e acaba denegrindo a marca do equipamento acreditando que é de baixa qualidade e resistência, por não saber o que de fato aconteceu.
Outro exemplo típico são os testes em computadores de mergulho realizados de forma errada, possibilitando o alagamento e perda do produto pela falta de conhecimento de quem realiza o teste na câmara de pressão.
Conclusão
Atitudes indevidas criam possibilidades de problemas e acidentes.
Mergulho é uma atividade de alto custo, onde não podemos tentar minimizar os gastos com ações que vão contra as regras e procedimentos adequados. Os fabricantes projetam os produtos durante um longo tempo para evitar qualquer possibilidade de acidente com seus produtos comercializados.
O mergulhador não deve tentar diminuir custos com ações incorretas e, a meu ver, o mercado deveria abolir quem trabalha de forma errada.
O mergulhador também deve evitar a contratação de qualquer pessoa desqualificada para realizar a manutenção de seus equipamentos. Verifique se o técnico e a empresa são reconhecidos no mercado, e saiba que um simples curso de manutenção de equipamentos, não significa que a pessoa esteja qualificada para sair mexendo em qualquer equipamento de mergulho.
Seja precavido para evitar dores de cabeça desnecessárias e, principalmente, manter sua segurança em dia.
Minha recomendação é não comprar qualquer peça para a manutenção de equipamento de mergulho que envolva segurança, pois muito provavelmente o barato sairá caro de alguma forma.

Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



