Já visitei até hoje 12 vezes o Peru, aproveitando a cada oportunidade, em conhecer cada canto daquele maravilhoso país. Uma cultura extrema, ótima comida, turismo e um povo acolhedor.
O Peru é muito conhecido pela cidade Inca de Machu Picchu, sua patte da Amazônia e os Andes, e a vida subaquática por lá é pouco conhecida e muito menos, divulgada. Talvez, pela cultura peruana não se voltar para o turismo de mergulho em si, o mercado do mergulho por lá acaba sendo pequeno. Nos últimos tempos, começaram a surgir algumas operadoras.
Vejamos alguns pontos atualmente operados por lá.

Piura – Los Organos
Piura é uma cidade ao norte do Peru, reconhecida por suas belas praias. Por lá é possível praticar diversas atividades aquáticas, como surf, kitesurf, pesca. A região acaba sendo muito visitada pelos surfistas brasileiros, inclusive.
Sua culinária de lá é à base de frutos do mar, e agora, o mergulho acabou se tornando também uma nova atividade esportiva por lá
O cais Los Organos acaba funcionando funciona como um recife artificial, tendo suas colunas repletas de vida marinha, e se tornou popular pela grande presença de tartarugas verdes que residem pela área, e que normalmente aproveitam os alimentos descartados pelos pescadores durante a limpeza dos peixes pescados. Você verá muitos baiacu, tramboyo (uma espécie de robalo local) e um grande número de estrelas.
O local pode ser facilmente acessível caminhando pela costa, a profundidade máxima é de 7 metros, e por isso, é recomendável mergulhar durante a maré alta, quando não houver ondulação. O fundo é arenoso, sendo possível observar vários tipos de arraias, linguados e o cavalo-marinho do Pacífico, considerada a maior espécie de cavalo-marinho do mundo, podendo alcançar os 30 centímetros de comprimento.
Utilizando uma embarcação do cais, em apenas 10 minutos você poderá chegar num extenso recife rochoso repleto de corais moles coloridos, e entre as rochas, é possível avistar tipos de nudibrânquios (alguns endêmicos da região), polvos, moreias, arraias, lagostas e peixes como o peixe anjo-rei e pequenas garoupas.
A profundidade máxima gira em torno dos 10 metros e os peixes tropicais possuem cores vibrantes, sendo o verdadeiro destaque, uma pequena caverna marinha, onde é possível observar um cardume brilhante de peixes-barbeiros amarelos, uma espécie de peixe-borboleta de lá.
Ambos os locais de mergulho estão localizados na corrente tropical peruana, que possui águas mais quentes, em comparação com o resto do país, e normalmente acabam tendo 20°C como temperatura mínima. Então, é recomendável usar uma roupa de neoprene com pelo menos 5mm de espessura.
O clima é ensolarado o ano todo, sendo a melhor época do ano de agosto a outubro, período em que as baleias jubartes chegam para a época de reprodução.
Embora seja proibido mergulhar com elas, você poderá ouvi-las cantar enquanto mergulha a uma distância apropriada. Os centros de mergulho que operam neste setor norte do Peru chamam-se Chelonia e Spondylus.

Lima – Pucusana
Lima é a capital do Peru, sendo conhecida por sua gastronomia. Pode ser difícil imaginar que a apenas 40 minutos da movimentada cidade existe uma incrível e tranquila floresta de algas logo abaixo da superfície da Praia de Pucusana.
Por lá você poderá encontrar dois pontos de mergulho, um ao lado do outro, sendo El Chuncho é uma baía muito calma, onde a profundidade máxima gira em torno dos 14 metros, sendo possível avistar uma floresta de sargaços, muitos peixes, estrelas do mar e mais próximo da parede de rochas, caranguejos, polvos e camarões.
Saindo de barco, em apenas cinco minutos chega-se a La Lobera, onde a principal atração é a abundância de leões marinhos. A profundidade máxima chega aos 31 metros.
A temperatura da água em Lima varia entre 13 e 20°C, então, pelo menos uma roupa semi-seca de 7mm com capuz e luvas, você irá precisar, sendo o melhor dos cenários, o uso de uma roupa seca. Mais informações você poderá conseguir com as operadoras Naylamp DC e Pacific Divers DC.

Paracas
A região de Paracas ficou famosa anos atrás após o famoso terremoto no povoado de Pisco, ao sul da capital Lima.
A Reserva de Paracas com o arquipélago das Islas Ballestas reservam, talvez, os melhores mergulhos por lá. Leia mais aqui.
Moquegua – Puerto Ingles
Este é o ponto de mergulho recreativo mais meridional do Peru e o menos explorado. A vida pode ser observada desde 1 aos 5 metros de profundidade. Durante o mergulho você encontrará muitos tipos de peixes, caranguejos, tramboyos de olhos azuis e invertebrados, com o anêmonas e estrelas do mar com diferentes cores.
A entrada é pela costa e, a temperatura da água chega aos 13°C, sendo possível alugar uma roupa de neoprene de 7mm. A operadora é a Ccanto Diving Group.
Arequipa – Caleta San José
Descendo mais em direção a Tacana e localizada a duas horas da maravilhosa cidade histórica de Arequipa, Caleta San Jose EcoLodge é uma área de reserva natural criada e administrada por uma família local. Durante 24 anos, a família continuou protegendo as suas terras e até ganhou o reconhecimento do governo peruano como sendo uma área de conservação privada. Os fundos arrecadados pelo EcoLodge são utilizados para proteger o ecossistema circundante, e ao se hospedar e mergulhar por lá, você estará contribuindo para a preservação de uma das mais belas praias do Peru.
O local é acessível apenas por veículos com tração 4×4, e a estadia no Caleta San Jose EcoLodge requer antecipação.
A partir de lá, você encontrará dois pontos de mergulho, sendo o primeiro com um recife próximo, que fica a poucos passos da recepção do hotel e abriga uma grande diversidade de espécies de invertebrados e sargaços altos. A 15 minutos a pé do alojamento fica La Francesa, uma baía com águas extremamente calmas, graças às montanhas rochosas que rodeiam a região. A entrada é feita a pé e a exploração do mergulho pode ser feita nas duas paredes da serra. A temperatura média da água de varia entre 13 e 19°C, tendo uma visibilidade média de 15 metros durante o ano todo.
Nessa parte, os Andes chegam ao mar, tornando a paisagem subaquática mais interessante e onde as montanhas mergulham abaixo da superfície. Por lá, você avistará uma floresta de algas, boa diversidade de peixes, caranguejos, estrelas do mar, anêmonas e ouriços-do-mar de diferentes cores.


Clecio Mayrink
Engenheiro de sistemas nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986 pela CMAS, participando da primeira turma da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 40 anos de experiência em mergulho, imagens subaquáticas e pesquisador de naufrágios, sendo uma referência no país.
Ex-juiz da AIDA International, foi membro da expedição de mapeamento da caverna na Lagoa Misteriosa em Bonito-MS no ano de 2008, é o idealizador do Brasil Mergulho criado em 1998 (MTB 0081769-SP) e um dos responsáveis pelo tema Mergulho no 1° Atlas dos Esportes do Ministério dos Esportes no país.
Também atuou na produção de matérias e documentários no Brasil e no exterior, prestando consultoria para mídia em geral, órgãos públicos, entidades militares e internacionais, como a ONU e UNESCO.



