Primeiro Dia Mundial da Raia-Manta é celebrado hoje

Hoje, 17 de setembro, comemoramos, pela primeira vez, o Dia Mundial da Raia-Manta. É um marco na luta pela conservação do animal, com a união de projetos de diversos países. A hashtag #WorldMantaDay está sendo usada nas redes sociais para aumentar a visibilidade da causa.

A maior raia dos oceanos pode alcançar oito metros de envergadura e pesar até duas toneladas. Suas duas espécies ­– M. birostris, maior e de hábitos oceânicos, e M. alfredi, menor e de hábitos recifais – estão classificadas no estágio “vulnerável à extinção” na lista vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais).

Há cerca de 30 organizações pelo mundo protegendo esses animais gigantes, com o maior cérebro entre os peixes, mas que não representam qualquer perigo para o ser humano: elas não têm ferrão e se alimentam apenas de plâncton e pequenos peixes. A maior ameaça para as raias, infelizmente, é o próprio ser humano. A pesca – intencional ou não – faz centenas de vítimas todos os anos.

“Além de muitas vezes ficarem presas acidentalmente em redes, linhas e até cabos de barcos, suas brânquias são comercializadas em mercados asiáticos por supostos poderes medicinais. Some a isso que elas se reproduzem lentamente, com apenas um filhote a cada três anos, e você tem o cenário que leva à extinção”, lamenta Ana Paula Balboni Coelho, coordenadora do projeto Mantas do Brasil.

Apenas a M. birostris tem ocorrência comprovada em águas brasileiras, e o projeto estuda a existência de uma terceira e nova espécie vivendo em nossa costa. Animais com essas características já foram registrados em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Espírito Santo, na Bahia, no Rio Grande do Norte e em Pernambuco, principalmente no arquipélago de Fernando de Noronha.

“É justamente esse nosso principal projeto de pesquisa. O Mantas do Brasil está em uma cooperação internacional de cientistas para decifrar a possibilidade de existência uma terceira espécie, latino-americana, que habitaria desde o Golfo do México até o sudeste brasileiro”, conta Ana Paula.

O trabalho tem avançado a passos largos desde que o projeto realizou uma necropsia – a primeira do Brasil – de uma raia-manta encontrada morta (evidente descarte de pesca) em Cananeia, litoral sul de São Paulo, em abril do ano passado. Os pesquisadores também coletaram amostras de uma que foi pescada em Natal (RN), além de DNA de um animal vivo em Noronha. Ao que tudo indica, todas tratam-se da nova espécie.

“Elas são diferentes tanto da birostris, que costumamos encontrar na Laje de Santos e na Queimada Grande. Têm corpo menor, cara branca, ventre quase todo branco, com apenas algumas pintinhas. E isso não bate com as alfredi, que habitam a Indonésia, Tailândia e Havaí, por exemplo”, diz Paula Romano, coordenadora do projeto e monitora ambiental do Parque Estadual Marinho da Laje de Santos.

Os avistamentos de raias-manta em Noronha, antes extremamente raros, vêm se intensificando ao longo dos anos: são quase 50 registros de 15 indivíduos diferentes desde 2002, sendo um morto por enrosco em cabo de poita, demonstrando os perigos dos petrechos de pesca para esses animais. “Ou seja, as mesmas mantas reapareceram em diversas épocas do ano, indicando que escolheram a região como seu novo lar. Por isso, é extremamente importante alertarmos sobre a necessidade da preservação desses animais aqui no Brasil”, ressalta Paula.

O Projeto Mantas do Brasil, que tem patrocínio da Santos Port Authority (SPA), usa a metodologia do “cidadão cientista”: todos podem – e devem – contribuir para a pesquisa, com suas fotos e vídeos dos animais. Os registros, coletados nos últimos 30 anos, podem ser acessados por qualquer pessoa, on-line, no Banco Brasileiro de Mantas, a mais importante ferramenta de pesquisa e preservação do projeto. No site, também há um breve curso para os mergulhadores que queiram colaborar.

“As raias-mantas são gigantes gentis, majestosas, inteligentes e curiosas. Mergulhar com elas é um privilégio, um momento mágico. O mundo precisa se conscientizar de que elas valem muito mais vivas do que mortas”, conclui Balboni.

Saiba mais em: www.worldmantaday.com e www.mantasdobrasil.org.br

Contato para imprensa

Marcella Duarte
marcelladuarte@gmail.com
11 97140.0740

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