Professor capacita mergulhadores em Noronha para manejo com peixe-leão

Referência na área de conservação e atuante em projetos de ajudam a reduzir os impactos negativos causados pelo Peixe-leão, espécie invasora que ameaça a biodiversidade marinha, o pesquisador da Universidade Federal de Alagoas – UFAL, Claudio Sampaio, foi convidado a participar de um evento realizado em Fernando de Noronha, entre 18 e 22 de maio.

O arquipélago enfrenta um grande desafio com a infestação do peixe e o professor dos cursos de Engenharia de Pesca e Licenciatura em Ciências Biológicas de Penedo colaborou com a comunidade local apresentando estudos e realizando uma capacitação com mergulhadores.

Organizada pelo ICMBio Noronha, a 2ª Semana do Peixe-Leão teve como foco o fortalecimento das ações de monitoramento, controle e manejo da espécie invasora, podendo causar impactos negativos em atividades econômicas importantes, como a pesca e o turismo.

O evento reuniu pesquisadores, gestores públicos, instituições de ensino, organizações do terceiro setor, mergulhadores e moradores locais, promovendo a integração entre pesquisa, extensão e ações de manejo. Participaram representantes do ICMBio, IBAMA, CPRH-PE, Sema-PE, Sea Paradise, Projeto Conservação Recifal, UFC-Labomar, Ufersa, UFRN, UFPE e Ufal.

Durante o encontro, o representante da UFAL apresentou resultados de pesquisas e ações de extensão voltadas ao monitoramento e manejo do peixe-leão no Nordeste brasileiro. Essas iniciativas são desenvolvidas em parceria com o Projeto Conservação Recifal (PCR), ICMBio, IBAMA, Projeto Ecológico de Longa Duração Costa dos Corais Alagoas (Peld-CCAL), Projeto Meros do Brasil, Projeto Corais de Alagoas, APA Costa dos Corais, APA de Piaçabuçu, Reserva Extrativista Marinha Lagoa de Jequiá e a Universidade Federal de Sergipe, por meio do Projeto de Monitoramento de Acidentes na Terra e no Mar (Martes).

O professor Cláudio “Buia” Sampaio contribuiu na capacitação teórica e prática de mergulhadores para o manejo seguro do peixe-leão, compartilhando também sua experiência em mergulho livre e autônomo. Além disso, participou de encontros com pescadores artesanais e agentes de saúde, abordando à captura, manuseio, prevenção, tratamento e riscos de acidentes. Nessas atividades, foram apresentados exemplares do peixe-leão para a visualização dos espinhos peçonhentos e das técnicas para a retirada segura de filés e couro.

“Aproveitamos, também, para mostrar as gônadas (ovas) e conteúdos estomacais. Os estômagos dos peixes-leão foram abertos para visualizar sua dieta, composta por peixes, destacando seu potencial reprodutivo e impacto ecológico”, destacou o docente da UFAL.

Além das atividades de capacitação, o professor Cláudio “Buia” Sampaio realizou mergulhos para manejar a espécie invasora, com os peixes-leão destinados a pesquisas.

 

Evento ajudar a disseminar conhecimentos

Possuindo espinhos peçonhentos, rápido crescimento, reprodução precoce e alta capacidade de dispersão, o peixe-leão pode produzir milhares de ovos por mês e se alimentar de uma grande variedade de peixes, caranguejos e camarões. Sem predadores naturais capazes de controlar suas populações, o manejo baseado em evidências científicas é a principal estratégia para reduzir seus impactos. A gravidade da bioinvasão é confirmada pelo registro, em Fernando de Noronha, do maior peixe-leão já documentado no mundo, com 49 cm de comprimento.

“Eventos como a 2ª Semana do Peixe-Leão são fundamentais para fortalecer a cooperação entre instituições, compartilhar e promover a transferência do conhecimento produzido pelas universidades públicas para a sociedade, contribuindo para a conservação dos recifes e o enfrentamento das bioinvasões, reforçou Buia.

No Brasil, pescadores e pesquisadores estão unidos para coletar e estudar o Peixe-leão.

Na UFAL, além das ações de pesquisa e extensão, algumas dissertações de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Diversidade Biológica e Conservação nos Trópicos (PPG-DIBICT / UFAL) e Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) de Engenharia de Pesca vêm sendo desenvolvidos com peixes-leão capturados em Fernando de Noronha e na costa de Pernambuco e Alagoas.

Os estudos abordam temas como dieta, parasitas e o aproveitamento da carne e da pele (couro) da espécie.

Por: Manuella Soares – Jornalista

Fonte: Universidade Federal de Alagoas – UFAL

Adaptação: Redação Brasil Mergulho

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