Não é preciso dizer que nenhum mergulhador gostaria de passar por algum tipo de situação de risco ou ter um acidente de mergulho. Claro que não…

No entanto, quando isso infelizmente ocorre entre os mergulhadores brasileiros, normalmente a informação sobre o acidente “corre” pelos bastidores do mercado.

Explicando de uma forma melhor, mesmo que os envolvidos no acidente não relatem de forma oficial através de um relatório de acidente, de algum jeito a informação sobre o ocorrido chegará ao mercado e os profissionais tomarão conhecimento sobre o fato, seja com a informação correta ou totalmente alterada, como normalmente acontece no já conhecido “telefone sem fio”.

A história começa com a letra A e algum tempo depois chega a ter o alfabeto completo, com tantas distorções que o relato teve ao longo do tempo, justamente por não haver um relatório oficial dos envolvidos.

Isso sempre irá acontecer porque a maior parte dos brasileiros comete sempre o mesmo erro, que é o de não gerar um relatório de acidente, e quando é este o assunto, os americanos dão de 10 a 0 nos brasileiros, simplesmente porque existe uma preocupação para:

  • Evitar distorções na história;
  • Para que as pessoas não cometam os mesmos erros;
  • Mostrar a importância de seguir as regras.

Por lá eles não estão preocupados com aspectos do tipo “todos irão saber” ou “meu concorrente vai deitar e rolar falando mal da minha empresa para captar meus clientes”.

Não, isso não funciona por lá, simplesmente pelo fato deles seguirem regras mais rígidas, aspecto este que nem sempre é visto em alguns poucos centros de mergulho por aqui, e não é à toa que acabamos escutando coisas do tipo “não divulgue nada, pois há famílias que dependem do mergulho por aqui”, como se o acidente de mergulho fosse culpa exclusiva da operadora de mergulho.

Esse pensamento “micro” e imaturo só irá:

  • Potencializar os comentários entre os profissionais;
  • Não tornará o mergulho mais seguro;
  • A história continuará sendo alterada cada vez que for contada.

Um exemplo de conscientização

Hoje um americano publicou o vídeo abaixo relatando sobre seus erros em um mergulho, mostrando suas falhas e o que ocorre quando esse tipo de coisa acontece.

Parabéns pra ele que não está preocupado com comentários alheios, mas sim, que todos tomem conhecimento para não passarem pelo mesmo tipo de risco.

Ele viu que o descumprimento das regras teve consequências sérias, teve o bom senso de aceitar seus erros e divulgá-los aos demais para que esse tipo de coisa não aconteça novamente, ou seja, outro nível de racionalidade.

Out Of Air (For Real..)

OUT OF AIRThis video was accidently taken by Robert Edwards with his camera tethered to his bcd. It can be a bit disorienting, but reveals the moments leading up to him running out of air. He fully admits that this was totally his fault, and that the whole situation could have easily been avoided with proper communication. He assumed the dive was over (based on previous dive times) when it was not. This was a serious learning experience, and a reminder not to get complacent.

Posted by The Florida Diver on Tuesday, July 30, 2019

Por:

Clecio Mayrink
Editor - Brasil Mergulho

Nascido no Rio de Janeiro, ingressou no mergulho em apneia em 1983 e autônomo em 1986, participando da primeira turma de Dive Master da PADI no Rio de Janeiro em 1990. É mergulhador Técnico Trimix, Technical Cave Diver, Advanced Cave Sidemount / No Mount, possuindo mais de 30 anos de experiência em mergulho e fotografia / vídeo subaquático.

Foi membro da expedição de mapeamento da Lagoa Misteriosa em Bonito-MS, em 2008, é o idealizador do site Brasil Mergulho em 1998 (MTB 0081769/SP) e atuou em diversas matérias e documentários no Brasil e no exterior, sendo uma referência quando o assunto é mergulho e naufrágios para a mídia e órgãos públicos no país, e diversas entidades internacionais como a ONU e UNESCO.